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06/05/2010 - 15h25 - Atualizado em 09/02/2012 - 19h11

Laissez faire, laissez aller, laissez passer

Texto de Mariana Meira, 1º ano de jornalismo | Edição: Lidia Zuin

Deixai fazer, deixai ir, deixai passar. Do comércio do século XVIII para o cibercomércio do século XXI

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Com sede em Bauru e com perfil no Orkut, a loja Miss Jay possui mais de 900 contatos

Roupas, perfumes, acessórios, livros, eletrônicos. Esses são alguns itens que há anos já não são mais vendidos apenas nas lojas. Os produtos continuam nas prateleiras, mas também já conquistaram um espaço ilimitado em um mundo onde basta um clique.

O estresse diário e a falta de tempo são alguns dos motores do comércio na internet, largamente desfrutado e conhecido. A novidade, porém, é que as mercadorias ultrapassaram os limites dos portais de venda: elas também podem ser encontradas em redes sociais, como o Orkut. Recente, o comércio em redes sociais é favorável por facilitar a divulgação dos produtos e por melhorar ainda mais a qualidade das comunicações. Com um simples perfil criado, vendedores iniciantes e comerciantes experientes encontraram, no site, uma forma de promover suas vendas a partir de um contato mais amplo e informal.

Um exemplo de conquista nesse ramo do comércio é o caso de Mariela Utida, vendedora da loja de roupas Miss Jay, situada em Bauru, interior de São Paulo. Segundo ela, o perfil da loja auxiliou no sucesso das vendas, uma vez que estas são feitas de maneira mais descontraída e, muitas vezes, sem que seja necessário conhecer as clientes pessoalmente. “Quando abrimos a loja, não conhecíamos tanta gente. Criar um perfil no Orkut para a Miss Jay foi uma forma que encontrei de convidar as pessoas, sem ficar muito pessoal, pra conhecer minha loja”, conta. Mariela ainda destaca que o perfil, com álbuns atualizados de acordo com a chegada de novas coleções, age como um catálogo para as usuárias, que se mantêm em dia assim que acessam o Orkut. “Quando a cliente quer fazer uma compra, ela olha no álbum e vê se há o produto que está procurando”, explica. Por fim, ela acrescenta que, apesar da loja existir física e virtualmente, a diferença está no fato de que, no perfil do Orkut, as trocas de informações e carinho das clientes são maiores.

Também se destaca o perfil Patrícia Guedes Design, de Florianópolis. Tendo contato com usuários de vários Estados brasileiros, Patrícia, que trabalha para uma fornecedora de acessórios femininos, confirma as vantagens dessa atividade e diz que o contato com as clientes pelo Orkut torna a compra mais reservada. A página de Patrícia, além de também possuir álbuns com fotos das pulseiras, colares, brincos, anéis e produtos que chamam a atenção das mulheres, deixa à disposição das usuárias as dicas para efetuar a compra: o envio de scrap manifestando interesse pelo produto e o fornecimento de dados básicos.

Com um clique, os contatos aumentam, as compras são feitas, o status e a reputação da loja se elevam. O contato e a proximidade proporcionados pela internet acabam deixando caminhos livres para usuários nem sempre confiáveis. Apesar das vantagens do comércio no Orkut, a própria rede social afirma, em seu termo de uso, que seu propósito é agir apenas como site de relacionamento social, sem que haja outra finalidade. Os responsáveis, entretanto, am que, por outras atividades que sejam exercidas na rede, eles não se responsabilizam: “O Orkut não concede, respeitados os limites legais, quaisquer garantias expressas, implícitas ou presumidas, incluindo, sem limitação, garantias de comerciabilidade, adequação a determinado propósito e não infração de direitos proprietários”. É o risco que se corre.

Tanto Mariela quanto Patrícia, mesmo possuindo perfis bem-sucedidos, dizem estar inevitavelmente sempre sujeitas ao perigo. Fraude, roubo de fotos ou uso indevido das mesmas, calúnias e difamações são acontecimentos corriqueiros em redes sociais em que se expõem pessoas, instituições ou mercadorias, como no caso das vendedoras. Fora do controle dos comerciantes, são criados perfis falsos que podem distorcer a reputação da loja ou mesmo arruinar o projeto. Não suficiente, o ato é criminoso e acaba comprometendo a própria vida profissional dos vendedores e sócios. Sem o respaldo do Orkut, a prática comercial no site acaba se tornando um risco a se correr.



Comentários Comentários Postados
Priscila Pires[29/11/2010 - 15:38]

Gostei do assunto abordado, especialmente por procurar ser original e fugir dos temas mais recorrentes como liberdade de imprensa, política etc. O que mais me chamou a atenção foi o título da reportagem, porém ao ler o texto senti que não foi tão adequado. Não me leve a mal, pois não chegou a ser um título incoerente, mas o título sozinho não passa a mensagem de qual o assunto que a matéria vai tratar. Att, Priscila.

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