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30/04/2010 - 15h13 - Atualizado em 25/05/2013 - 12h51

Mídias sociais: a influência na eleição de Obama e suas perspectivas

Texto de Ana Gabriela e Lucas Menegale, alunos do 1º ano de Jornalismo | Edição: Lidia Zuin


Atualmente, com Obama já eleito presidente, a rede social myBarackObama.com
mostra ter outros interesses. No início, o site tinha como propósito a reunição de 
eleitores.

Enquanto John McCain, adversário republicano, gastava com aluguel de jatos, ônibus e super consultores, Barack Obama explorou amplamente a internet como meio de difundir sua campanha, promover integração e se aproximar dos eleitores. Sua propaganda representou não só a ascensão de um negro para a presidência dos Estados Unidos, mas também uma nova forma de moldar a estratégia política. Essa mudança refere-se à utilização das redes sociais para dialogar com o público, no caso, o eleitorado.

Usar a internet como dispositivo político já era um recurso existente antes da última eleição presidencial norte-americanas, mas a forma com a qual Obama e sua equipe se apropriaram da rede e de seus benefícios chamou a atenção de muita gente. “A campanha de Obama teve o mérito de dar visibilidade à participação de anônimos na internet, os quais já tinham a motivação latente de apoiar o candidato da oposição, devido principalmente ao momento de crise econômica”, afirma Nara Alves, repórter do iG e mestranda da Faculdade Cásper Líbero que está concluindo sua dissertação sobre o assunto.

O democrata fez uso de redes de relacionamento como Facebook e Twitter, além de trocar e-mails, mensagens instantâneas, SMS e hospedar vídeos no Youtube. Tudo isso serviu para formar uma sólida comunidade empenhada em sua causa. “A estratégia da campanha foi incentivar a criação de listas de e-mails e redes sociais que propagaram a ferramenta de doação para a campanha. Obama arrecadou pela internet US$500 milhões, do total de US$600 milhões”, acrescenta Nara.

Baseada numa relação direta com o eleitorado, a propaganda ainda contou com uma rede social própria. O MyBarackObama.com possibilitou integrar o público jovem e adulto, promovendo a participação de voluntários, os quais estavam aptos a opinar e sugerir melhorias, colaborando com o processo eleitoral. “Obama se apresentou como o candidato da mudança, capaz de recuperar o vigor econômico e o prestígio internacional que os EUA perderam com Bush”, indica Nara. A pesquisadora acredita que a Internet ajudou o presidente norte americano a atingir os eleitores assim como outros meios de comunicação permitiriam, “a diferença está na facilidade da participação individual”. 

Depois das eleições e de toda a polêmica a respeito da campanha de Obama, cada vez mais se discute as perspectivas das redes sociais como centro de discussão e mobilização, criando uma relação mais íntima entre o candidato e o público alvo. O Deputado Estadual (SP) e líder da bancada do PPS, Roberto Morais, afirma que “o grande mérito de Barack Obama foi ser o primeiro a acreditar nesse novo modelo de campanha eleitoral”. Ele acrescenta que “isso ficará na história, porque Obama foi o primeiro a usar a internet com competência”.

Tanto Roberto quanto Nara acham que não só a campanha fizeram de Obama o presidente dos Estados Unidos. “Obama é uma pessoa muito carismática, tinha boas propostas e soube fazê-las chegar ao eleitorado norte-americano”, diz o deputado. Ambos acreditam no carisma do político como uma das ferramentas responsáveis por sua vitória.

As eleições norte-americanas de 2009 repercutiram em todo o mundo, principalmente por conta das estratégias de comunicação com ênfase nas redes sociais. Mas ainda é necessário ter cautela quando se trata de especulações referentes a esse assunto, já que nos Estados Unidos a internet atingiu limites muito superiores que aqueles alcançados no Brasil, como explica o Doutor Walter Teixeira Lima Junior, professor de Pós Graduação da Faculdade Cásper Líbero.

Questionado sobre o uso político das redes sociais, o deputado Roberto Morais declarou que utiliza o Twitter, por exemplo, não só para fazer campanha em período de eleições, mas também como portal de comunicação durante seu mandato. “A internet permite uma interatividade com os cidadãos que nenhum outro meio possibilita. Não se trata apenas de ferramenta eleitoral.” O deputado ainda reforça que as redes sociais reduzem a burocracia no contato: “Hoje é possível estimular a participação popular na vida pública através de e-mails, Orkut, Twitter, blogs, MSN e quantas outras ferramentas mais a genialidade humana vier a criar. A internet é um espaço de exercício da democracia e de cidadania e deve ser usado”.