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30/04/2010 - 14h35 - Atualizado em 06/02/2012 - 07h39

Em ano de eleições, a internet abre espaço para campanhas

Texto de Lucas Paulino, Guilherme Augusto e Tiago da Mota, alunos do 1º ano de jornalismo | Edição: Lidia Zuin


Da esquerda para a direita: José Serra, Dilma Rousseff e
Marina Silva. Os três pré-candidatos às eleições presidenciais
de 2010 já estão inseridos nas redes sociais

As mídias digitais têm mudado a forma das pessoas se comunicar, nas últimas décadas, seja com fins profissionais ou de entretenimento. Em ano de eleições gerais no Brasil, seus impactos e influências serão postos em prova. Candidatos e partidos, indo além dos tradicionais websites oficiais, já se mobilizam entre as redes sociais, como Orkut, Twitter, Flickr e Facebook. Eles estão observando o potencial que há na internet para a propagação de sua imagem. Os presidenciáveis José Serra e Marina Silva, por exemplo, possuem perfis no Twitter, tal qual o Partido dos Trabalhadores (PT). Dilma Rousseff também já faz parte da rede social.

Para o senador Tião Viana (PT-AC), as ferramentas digitais são imprescindíveis na divulgação e maior aproximação com o eleitor. “O Twitter, por exemplo, acaba facilitando a externar minha opinião sobre determinado assunto. Eu o uso sempre que possível”. Já alguns políticos recorrem ao serviço de profissionais que possam auxiliá-los na manutenção de seus tantos perfis nas redes. Caio Túlio Costa, professor da Faculdade, está coordenando a comunicação digital da campanha de Marina Silva, enquanto o ex-organizador do evento Campus Party, Marcelo Branco, cuida da campanha de Dilma e Eduardo Graeff, da campanha do Serra. “Tenho também um website, perfil no Facebook, um canal no YouTube  e um Orkut, sendo estes últimos auxiliados pela equipe de comunicação do meu gabinete”, acrescenta o senador.

Em 2008, foi amplamente divulgado que as mídias digitais tiveram fundamental importância na bem sucedida campanha de Barack Obama. No entanto, para Walter Teixeira Lima Jr., pós-doutor em Comunicação e Tecnologia e doutor em Jornalismo Digital, é preciso desmitificar a ideia de que a Internet decidiu as eleições. “Lá, a televisão foi e ainda é um espaço muito importante para o debate. No Brasil também será assim”, afirma o especialista. “Parece que há uma supervalorização da internet e destas tecnologias”.

Tweet de Marisa Serrano

Porém, são inegáveis os benefícios da interação entre candidato e eleitor proporcionados pela rede. “É uma relação mais direta e a resposta é imediata. Quando posto algum comentário, recebo logo diversas manifestações dos meus seguidores”, comenta a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). Além dessas atitudes espontâneas, a internet proporciona debates abertos e cobrança direta por parte do eleitor, que, desfrutando de informações disponíveis na rede, torna-se mais crítico e articulado.

Portanto, haverá uma tendência, por parte dos partidos, de procurar nas redes sociais um espaço fora de alcance nos meios convencionais. De acordo com Walter, os candidatos menores e com menos chances de vitória, pelas pesquisas, irão abrir mais seus espaços na internet, ampliando as discussões para expandir seu alcance; já os candidatos maiores vão utilizar a rede somente como um complemento das suas campanhas no broadcasting, ou seja, em rádio e TV.

No Brasil, a propaganda eleitoral nas mídias digitais ainda dá seus primeiros passos. Num país onde o uso da internet ainda pode ser considerado restrito, é possível questionar a eficácia dessa prática. “O impacto vai aumentando conforme as pessoas vão tendo maior acesso à Internet, o que não quer dizer que a rede não vai ser forte em longo prazo. Hoje, no Brasil, o broadcasting ainda tem uma força primordial”, conclui Walter.