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29/04/2010 - 20h40 - Atualizado em 07/02/2012 - 03h04

Essência e paixões de Woody Allen

Por Felipe Bianchi, aluno do 1º ano de Jornalismo

Diretor sinônimo de marca autêntica

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Reprodução

A irreverência, sarcasmo e tênue linha entre o escracho e a classe sempre foram marcas registradas de Woody Allen. Porém as paixões e os gostos pessoais do diretor, ator, escritor, comediante e músico também ganharam impressões em sua vasta produção cultural. Juntamente com a arte de fazer bons filmes, isso confere a ele indiscutível título de autenticidade.

Uma de suas grandes paixões é a cidade de Nova York, cenário de muitas de suas tramas. Não é raro ser retratada por ele de forma romântica e apaixonada. O que dizer da poesia que ela se torna  em Manhattan?

Outros diversos temas são recorrentes em seus trabalhos: a Filosofia, História,  música clássica e o jazz compõem um farto cardápio de erudição. Porém a ironia, as neuroses e as excentricidades de suas personagens dão um contraste rico e original ao autor, que consegue atingir um refinado equilíbrio entre intelectualidade e deboche. Essa equação básica que Allen utiliza em quase toda sua carreira, sem dúvida, deu certo.

O filme O Dorminhoco (1973) e o livro Cuca fundida (1971), por exemplo, contêm várias referências ao universo filosófico, presentes na narrativa predominantemente em forma de piadas. A História, por sua vez, ganha uma versão hilária em A última noite de Boris Gruschenko (1975), quando Napoleão Bonaparte, assim como a própria guerra e a Idade Média, são satirizados no melhor estilo do diretor. Quanto às referências musicais, Igor Stravinski e Serguei Prokofiev são alguns representantes do clássico que figuram na obra de Allen, além do jazz, é claro. Nascido Allen Stewart Konigsberg, seu nome artístico foi inspirado no de um músico do gênero, chamado Woody Herman. Ele também toca clarinete no grupo Woody Allen and his jazz band, realizando apresentações às segundas-feiras, em Manhattan.

Na fase recente, há um flerte maior com o drama, mas algumas características persistem. Em Scoop – O Grande Furo (2006), por exemplo, sua personagem, o mágico Splendini, é fiel aos perfis que costuma interpretar. Apesar da experiência em novos cenários, a essência de Allen ainda é predominante, representada pela trilha sonora e relações conturbadas das personagens.

A genialidade de suas criações, reconhecida por milhares de fãs mundo afora, o talento singular em interpretar e analisar a vida cotidiana no mundo moderno e a originalidade das personagens, o tornam um dos grandes nomes da história do cinema. Porém, ele próprio é um espetáculo à parte. Não somente pelo estilo inconfundível, com expressões tímidas e óculos de hastes grossas, mas porque, afinal, quem mais não compareceria a uma cobiçadíssima premiação do Oscar para tocar jazz com os amigos em um bar em Nova York?



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