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29/04/2010 - 13h48 - Atualizado em 09/02/2012 - 13h26

A tênue fronteira entre o profissionalismo e a liberdade de expressão

Texto de Luiza Tenente e Natalia Cacioli, 1º ano de jornalismo | Edição: Lidia Zuin


Jornalistas criam contas em redes sociais, mas são pautados pelos
veículos para qual trabalham

A utilização de redes sociais, especialmente o Twitter, permitiu que jornalistas tivessem um contato direto com o público, sem a intermediação das empresas em que trabalham. Além disso, o novo canal interativo passou a ser utilizado como divulgador de opiniões pessoais, notícias em tempo real e programação dos veículos de comunicação.

Acontece que alguns órgãos se sentiram lesados pelo conteúdo das mensagens “twittadas” por seus funcionários. Em resposta, elaboraram regulamentos que orientam a conduta no uso do microblog e estipulam limites aos jornalistas. Tal decisão acarretou em diversas discussões que envolvem princípios éticos e morais. “O veículo para qual o jornalista trabalha não é o ‘dono’ do cérebro e muito menos da vida particular dele”, diz o jornalista Carlos Castilho, ex-editor chefe do Jornal da Globo e atualmente integrante da direção do site Observatório da Imprensa. Mas complementa: “Tratando-se de uma informação de interesse público, a ética jornalística exige que o repórter ou editor passem isto ao veículo”.

Periódicos conceituados e com alcance mundial, como o New York Times, Wall Street Journal, Washington Post e a Agência Reuters proibiram a divulgação de informações referentes a aspectos internos da empresa. Além disso, as notas exclusivas (“furos”) devem ser mantidas em sigilo até a veiculação formal. Acredita-se que a antecipação de uma notícia pelo microblog pode tirar o interesse do público para quando a nota for oficialmente divulgada pelo meio de comunicação.

A Folha de S. Paulo também elaborou regras para o uso do Twitter. Entre elas, consta a indicação de que os jornalistas não podem emitir opiniões políticas nem demonstrar preferência por algum candidato. Isto significa que o regulamento prevê que qualquer erro ou opinião polêmica que for propagada pelo Twitter podem afetar a credibilidade do veículo para qual o profissional trabalha. Já a Rede Globo estipulou que seus funcionários devem pedir autorização para manter alguma rede social com vínculos aos conteúdos da emissora.

A opinião oposta sustenta o argumento de que todos devem ter direito à liberdade de expressão. De acordo com a revista Statepress, do Arizona, a imparcialidade deve ser preservada no ambiente de trabalho, o que não impede a manifestação de opiniões em redes sociais. Outro exemplo é a ESPN Brasil: seus profissionais participam do Twitter e de outras redes sociais sem restrições, diferentemente da matriz norte-americana. Segundo Castilho, “ter opinião não é um pecado. A opinião pessoal (formalizada ou não) faz parte do contexto da informação”.

Como solução, foram criados twitters e blogs oficiais com o nome do veículo e do jornalista. A função única e primordial é informar em mensagens curtas e rápidas, com a máxima imparcialidade possível. O jornal O Globo, por exemplo, posta seus tweets acompanhados de links que direcionam ao site com a reportagem na íntegra. “É muito interessante que os veículos, ao lado da cobertura jornalística formal, incorporem twitters, blogs ou chats de seus repórteres para dar mais informalidade à cobertura. Isto já é feito em vários jornais ou revistas e é uma tendência mundial que vai se aprofundar”, afirma Castilho.



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