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23/04/2010 - 11h09 - Atualizado em 18/06/2013 - 04h28

Efeito placebo num show esbranquiçado

Por Lidia Zuin, aluna do 3º ano de Jornalismo

Sem querer estagnar, a banda inglesa Placebo deixa alguns fãs nostálgicos decepcionados

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Reprodução
O vocalista Brian Molko

Gente berrando para garantir seu lugar na fila, pessoas sentadas ao redor da fonte e sobre as calçadas do Credicard Hall, na noite de sábado, dia 17. Depois de três anos, a banda inglesa Placebo volta ao Brasil com baterista novo, Steve Forrest, e participação especial de Fiona Brice no teclado, theremin, violino e vocais de apoio.

A banda paulistana Superdose abriu o espetáculo. As músicas próprias, como Cidade Luz, eram composições em português anunciadas com clichês do tipo “essa é para a galera do rock ‘n roll”. Ainda que os telões do local anunciassem um show do cantor Belo, durante os intervalos, ali estavam reunidos milhares de fãs que representavam a antiga fase do Placebo, mais dark, e a atual, mais pop e leve, marcada pelo álbum Battle for the Sun (2009), trabalho que reflete mudanças, a elevação dos ânimos baixos, carregados há mais de dez anos.

Quem comprou setor Premium, apesar de estar mais perto do palco, não foi tão feliz assim: o preço relativamente próximo do oferecido pela Plateia Comum fez com que uma pequena parcela dos 4 mil espectadores preenchesse o espaço. Mas quem permaneceu do lado esquerdo do palco pôde contemplar melhor a figura menos andrógina de Brian Molko, usando lápis de olho e batom mais discretos. 

A simplicidade do show não esteve somente no figurino predominantemente branco, senão pela camisa de Molko e as vestes dos músicos de apoio (Nick Gavrilovic e Bill Lloyd). O jogo de luzes variou entre o branco, vermelho, amarelo e azul. Fiona, de vestido branco e cabelos loiros, ao ser iluminada pela luz alva, fazia inveja ao anjo Gabriel em representações d’A Anunciação. A energia ficou concentrada no baixista Stefan Osdal.

Os fãs de coturno, calça de couro e maquiagem preta não enxergavam ali o Placebo de anos atrás. “Joguei meu dinheiro no lixo”, um deles se pronunciou, no fim de exatos 90 minutos de show. Mas os gritos não foram menores por isso. A apresentação, iniciada com For what is worth, ganhou mais ânimo em Battle for the Sun. As músicas de outros álbuns foram escolhidas na intenção de agradar a todos: Every You Every Me, Special K e Special Needs foram as mais acompanhadas. Destas composições antigas, a única que deixou a desejar foi Meds, iniciada em marcha lenta e finalizada no mesmo ritmo.

Sem interagir muito com o público, como de costume, o vocalista só fez comentários sobre a música Speaking in tongues, quanto a programas de televisão responsáveis por mostrarem pastores “possuídos por Jesus”, e pediu para que o público cantasse ainda mais alto em The Bitter End, uma das últimas canções.

O show agradou, mas falhou no exagero de simplicidade visual (telão com videoarte) e por não sobrepor a nostalgia dos fãs. Mais que o preço, um dos motivos que decepcionou o público foi o temor de perder de vista a antiga imagem do Placebo: um Molko andrógino, de vestido e batom vermelho, e a melancolia de músicas como Blind, Sleeping with ghosts e Without you I’m nothing. Esse toque mesmo só foi levemente atenuado com Follow the cops back home.

SETLIST

1- For What It’s Worth
2- Ashtray Heart
3- Battle For The Sun
4- Soulmates
5- Speak In Tongues
6- Follow The Cops Back Home
7- Every You Every Me
8- Special Needs
9- Breathe Underwater
10- Julien
11- The Never-Ending Why
12- Bright Lights
13- Devil In The Details
14- Meds
15- Song To Say Goodbye
16- Special K
17- The Bitter End
Bis
18- Trigger Happy
19- Infra-red
20- Taste In Men