Arte do canal

índice geral



Home

09/04/2010 - 14h48 - Atualizado em 08/02/2012 - 22h31

Entrevista com o Professor Mauro Araújo de Souza

Entrevista de Rafaela Carrilho e Elisa Bentivegna, alunas do 1º ano de jornalismo | Edição: Lidia Zuin


Mauro Araújo de Souza é graduado em Filosofia (FAI) e História (Universidade de Franca) e possui especialização em História, Sociedade e Cultura (PUC), mestrado em Ciências da Religião (PUC), doutorado em Filosofia (PUC) e pós-doutorado, também em Filosofia (UFSCar). Escreveu, em 2009, o livro “Nietzsche Asceta”, publicado pela Editora Unijui. Na Faculdade Cásper Líbero, leciona Filosofia para os cursos de graduação em Jornalismo, Relações Públicas e Rádio e TV.

Em entrevista, Mauro comenta sobre sua experiência na Cásper Líbero, a disciplina que leciona e questões relacionadas ao jornalismo.  

Professor, o senhor chegou à Cásper Líbero em 2009. Como tem sido a sua experiência na Faculdade durante esse tempo?
É muito interessante trabalhar com a área da comunicação, porque a Filosofia está atrelada ao diálogo. Pude, nesse tempo, exercer essa experiência do diálogo com pessoas das mais diferentes áreas da comunicação e isso tem servido bastante para o meu crescimento profissional, pessoal e social. Vejo, aqui na Cásper, tanto nos professores como nos alunos, um grande potencial filosófico, de modo que é um lugar em que nutro bastantes expectativas. 

Quais são as suas expectativas para 2010?
Já existem alguns projetos para este ano, como o “Café Filosófico” no Trianon. Mas pretendo criar também outros espaços para a prática da Filosofia, mesmo dentro da própria sala de aula, com mais leituras e acesso a outro tipo de linguagem. Assim, minha expectativa para 2010 é o desafio de colocar a Filosofia como um centro de atenção especial, como formadora do homem na sua integralidade e não do homem fragmentado. Quero poder fazer trabalhos diferenciados, não necessariamente vinculados ao academicismo, mas que engrandeçam a parte humana nas comunicações, o que é muito importante. 

O senhor leciona para alunos de jornalismo. Como avalia a atuação dos profissionais desta área atualmente?
Como em todas as profissões, há  profissionais altamente éticos. Porém, citando Nietzsche: “Entre as condições da vida está o erro”. Portanto, nenhum de nós está livre de errar; o erro acaba fazendo parte da nossa formação. E vejo, não só no jornalismo, como em outras profissões também, alguns desvios éticos. Mas penso que se trata de atitudes que podem ser trabalhadas, reconduzidas à cidadania, à ética e ao propósito de existir em prol das necessidades públicas. 

Qual é, em sua opinião, o papel do jornalista diante do jornalismo colaborativo?
Atualmente, a questão da solidariedade e da interdisciplinaridade são pontos fortes, filosoficamente falando. Portanto, não somente, mas especificamente o jornalismo deve incentivar este ramo mais amplo da área – o jornalismo colaborativo. Vejo que isso é fundamental. 

E quanto ao futuro desta profissão... O senhor acredita que é mesmo digital?
Isso é o que dizem para nós não só em relação ao jornalismo. Às vezes tenho receios de que haja algo exagerado com relação às novas tecnologias e receio a criação de novos “Frankensteins”, na qual depois o monstro devora seus criadores. O jornalismo digital, como as revistas eletrônicas, inclusive acadêmicas, têm servido aos nossos propósitos, sim, mas não vejo necessariamente que o crescimento dessa área possa tirar de nós aquela velha tradição de querer sentir, apalpar, de querer ter em mãos o gosto de folhear um livro, um jornal. Para mim, por exemplo, nada substitui um abraço. O meu receio é que esse excesso e certo modismo acabem atropelando aquilo que nunca deve ser deixado de lado, em termos de humanização.

O senhor enxerga pontos de intersecção entre a filosofia e o jornalismo?
Com certeza, porque a filosofia prepara o cidadão para agir criticamente, para ampliar os seus horizontes, em termos de diálogo com vários tipos de conhecimento. Prepara-o até mesmo para ser um bom comunicador e superar aqueles vícios que adquirimos no dia-a-dia, para não se perder em intrigas que são criadas muitas vezes em prol de determinados preconceitos. Então, eu acredito que a Filosofia abre a mente das pessoas para o diferente e, portanto, para um diálogo maior e para o crescimento do próprio jornalismo. A intersecção entre os dois é importantíssima. O jornalismo, enquanto inserido na Comunicação Social como um todo, muito contribui para a expansão filosófica. É um bom casamento. 

Então o senhor afirmaria que é fundamental a existência dessa disciplina em um curso como esse?
Eu não consigo vislumbrar como um curso de jornalismo poderia se firmar sem princípios filosóficos e sem a disciplina de filosofia. Como eu disse anteriormente, já que daria um bom casamento não poderia dar em divórcio.