A âncora do Jornal da Gazeta, Maria Lydia Flandoli, conversou com os calouros de jornalismo sobre a carreira que querem seguir
Formada em Serviço Social e pós-graduada em Psicologia da Educação, Maria Lydia Flandoli foi a convidada de 2010 para ministrar a aula magna do curso de jornalismo, que aconteceu na quinta-feira, 8 de abril. A âncora da TV Gazeta teve seu primeiro contato com o jornalismo quando recebeu um convite para trabalhar na rádio Jovem Pan, desde que regularizasse sua situação profissional. Assim, Maria Lydia cursou jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, tornando-se a primeira mulher a ser jornalista comentarista, no Brasil. A partir daí, ela conta, sua carreira tomou direcionamento para o jornalismo opinativo.
Maria Lydia iniciou a aula magna dizendo estar honrada pelo convite e parabenizou os estudantes pela escolha de se graduar numa carreira que não exige mais diploma, desde o ano passado. Segundo ela, “é fundamental a sistematização do conhecimento para qualquer profissão”. A jornalista acrescenta que “escolher prestar um vestibular e cursar a Faculdade é uma opção ética para o exercício da profissão”.
A âncora contou como foi ser pioneira na inserção da mulher no mercado de trabalho do jornalismo opinativo. “Quem não gostava de mim enviava cartas dizendo que eu deveria ser feia, morena, encardida, velha, gorda e mal amada. Os que gostavam me imaginavam linda, loira e diáfana”, confessou. Segundo Maria Lydia, isso demonstra um pensamento da época, em relação ao que é ser feia ou bonita e sua qualificação como jornalista.
No início dos anos 1990, Maria Lydia entrou na TV Gazeta como âncora do Gazeta Meio-Dia, antigo programa de debates políticos. No início, pensou-se que o programa teria como principal público donas de casa e aposentados, mas a recepção foi grande entre jovens, presidiários e até pessoas internadas em hospitais que, segundo a jornalista, chegavam a enviar cartas para o programa. “Televisões e rádios são concessões do povo e devem se voltar aos interesses dele”, afirma.
Hoje, Maria Lydia vê uma sociedade bem diferente no campo da política. O Jornal da Gazeta recebe cerca de 300 emails por dia; pessoas concordam e discordam em diversos aspectos, mas todas elas fundamentam suas opiniões e, principalmente, expressam-se sem medo. A jornalista considera a capacidade de opinar sem temer a réplica como um dos maiores valores que uma pessoa pode ter.
O Poder da Mídia
Para os que vêem a TV ou o rádio com glamour, Maria Lydia adverte que isso não existe: “Tem gente que te vê como celebridade. Muitos jornalistas se vêem assim. Mesmo na Globo não há salários altíssimos, é o de mercado”.
Segundo ela, o microfone também distorce a percepção dos jornalistas, que acreditam ter poder através dele. “O microfone não nos pertence. Há a impressão equivocada de poder, que não é do profissional, é da mídia, do dono, não de quem segura o aparelho”, diz Maria Lydia. Sobre essa questão, o coordenador do curso de jornalismo Carlos Costa, que mediou a aula, mostrou concordância e ainda lembrou que quando era diretor da revista Playboy recebia até champanhe em seus aniversários. Ao ir para a Quatro Rodas, ele comenta que não recebeu mais o presente. “Entendi que o champanhe era para o diretor da Revista Playboy, não para o Carlos Costa”, complementou.
A respeito do jornalismo atual, a âncora da Gazeta disse que a escassez de informação foi sanada com o advento da internet. Entretanto, é preciso tomar cuidado. “Esses recursos que facilitam não podem ser exclusivos. É preciso muita leitura e jornalista que não lê, não avança”, a.
Dicas
Maria Lydia deu algumas dicas aos futuros profissionais, entre elas a de estar sempre disposto a aprender coisas novas. “Se alguém pensar ‘eu já sei, já aprendi, estou diplomado e isso basta’ vai parar no espaço”. Ela ressalta que “ler é indispensável” e que é necessário conferir “pelo menos um jornal de São Paulo e outro do Rio de Janeiro”. “Ler amplia o vocabulário de quem já tem aptidão para transmitir o que pensa através das palavras”, enfatiza.
A jornalista ainda frisou que a ética é indispensável quando se pensa na função social do jornalista e no bem estar da sociedade. “A Cásper é uma grife no mercado de trabalho. Aqui adquiri meu hardware e aqui é onde vocês também vão adquirir o de vocês. Os softwares, a vida que os dará”, finalizou Maria Lydia, ao afirmar que a Faculdade Cásper Líbero foi responsável pela essência de sua formação jornalística.
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