Banda americana de metal progressivo toca em São Paulo os seus maiores sucessos
Black Cloud & Silver Linings é um cd que trouxe o som pesado e típico do heavy metal de volta ao Dream Theater logo em suas primeiras notas. No entanto, assim como esse álbum lançado em 2009, o concerto da banda em São Paulo, no Credicard Hall, trouxe uma esperança e uma melodia leve e elaborada no final. A banda continua em forma e compondo músicas que trazem suas histórias pessoais e grandes temas, assim como os fãs continuam fiéis aos reis do metal progressivo.
Mesmo com um palco simples, com panos que simbolizam as nuvens do encarte do último álbum, pobre em relação às formigas e ao farol da produção de 2008 no Brasil, a energia tomou conta de todos no dia 19 de março às 22h30, quando A Nightmare To Remember começou a ser executada. Com seus pedais duplos na bateria e a voz gutual, Mike Portnoy duelava com o vocalista lírico James LaBrie, que abusa de agudos, mostrando as contradições na música bem construída do Dream Theater.
Com tranças nas primeiras músicas, Portnoy tocava com entusiasmo e força, falando constantemente com o público. John Petrucci executou um solo que mostrou limpeza sonora e sentimento com seu próprio instrumento, sem a preocupação de ser um guitarrista rápido, após de A Rite of Passage, a segunda música do show.
A diversidade de efeitos do teclado de Jordan Rudess na improvisação após o medley Pull Me Under/Metropolis foi de impressionar até quem não gosta de tanto equipamento. O tecladista abusou de todo a técnica que dispunha, acompanhado pela bateria extremamente rápida de Portnoy, puxando o resto da banda para tocarem rápido. A sincronia de todos ali presentes foi intensa.
A sequência do marcante álbum “Scenes From a Memory” – Dance of Eternity, One Last Time e The Spirits Goes On – deu uma pontinha de esperança que fosse executado outro medley, como uma mistura dessas músicas com o trabalho do Liquid Tension Experiment, projeto do tecladista Jordan Rudess com Petrucci e Portnoy. Não aconteceu a junção das composições, mas isso nem de longe ofendeu os fãs, que acompanharam com entusiasmo essa tríade bem quista na discografia deles.
Cantada em coro, Prophets of War trouxe a mensagem política pesada que o Dream Theater criou em 2007, no CD “Systematic Chaos”, sobre o fim do governo Bush nos EUA. The Count of Tuscany resumiu o espetáculo, reunindo um tom esperançoso da banda ao contar a história da família do guitarrista John Petrucci, intercalando vários ritmos, tonalidades e uma harmonia tão clara mesmo com várias transformações na música, que dura quase 20 minutos. A voz de James LaBrie, ao contrário de outras apresentações do DT no Brasil, desapareceu em músicas leves como Hollow Years, o que decepcionou alguns fãs. Mas a banda permaneceu fazendo o que domina: misturando o som de bandas elaboradas como Rush e Pink Floyd com o peso de um Metallica, e conseguindo atingir uma originalidade tanto na composição quanto no desempenho ao vivo, diante de um público fiel.
Setlist do show, com música/CD na ordem da apresentação:
A Nightmare To Remember (“Black Clouds & Silver Linings”)
A Rite Of Passage (“Black Clouds & Silver Linings”)
John Petrucci – Solo de guitarra
Hollow Years (“Falling Into Infinity”)
Jordan Rudess – Solo de teclado
Prophets Of War (“Systematic Chaos”)
Wither (“Black Clouds & Silver Linings”)
Dance Of Eternity (“Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory”)
One Last Time (“Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory”)
The Spirit Carries On (“Metropolis, Pt. 2: Scenes From a Memory”)
Medley Pull Me Under-Metropolis Pt. 1 (“Images and Words”)
Duelos (Improvisam em cima do tema da música Metropolis)
Metropolis (“Images and Words”)
The Count Of Tuscany (“Black Clouds & Silver Linings”)
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