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31/03/2010 - 14h40 - Atualizado em 08/02/2012 - 05h24

Imagem pública da vida privada

Texto de Marília Diniz, aluna do 1º ano de Jornalismo | Edição: Lidia Zuin


Arquivo pessoal
Por causa de um comentário no
Orkut, o analista de suporte Eduardo
Lima foi reavaliado pela empresa
onde trabalhava

Uma pesquisa divulgada este ano pela BBC mostrou que 91% dos brasileiros entrevistados consideram a Internet um direito fundamental e que a maioria deles assume gostar de navegar em redes sociais.

Vistas como um espaço livre para exposição, as comunidades virtuais conquistaram um público que gosta de mostrar como pensa, vive e se relaciona. Entretanto, muitos usuários publicam fotos e comentários comprometedores sem saber que podem ser prejudicados pela imagem que deixam de si.

É o caso do analista de suporte Eduardo Lima, 24 anos, que fez um comentário, em uma comunidade do Orkut, sobre a suposta ignorância de seu gestor. Pouco tempo depois, Lucas foi convocado para uma avaliação com a área de recursos humanos da empresa, na qual alegaram que havia diversas falhas em seu desempenho. “Eram erros que os outros funcionários também cometiam e com mais frequência ainda”, diz.

Lucas saiu da empresa na semana seguinte. Depois de algum tempo, descobriu que seu antigo gestor fazia parte da mesma comunidade em que Lucas divulgou seus pensamentos. Ele se lamenta: “Foi por isso que o departamento decidiu investigar meu desempenho”.

Depois do comentário que custou um emprego, o rapaz não participa mais de comunidades virtuais e evita fazer comentários sobre seu trabalho para outras pessoas. “Aprendi que, se estamos querendo mostrar nossos pensamentos para alguém, é porque alguém vai sabê-los. Eu só não tinha me preocupado com quem seria esse ‘alguém’”.

Josiane Pareja
Josiane Pareja

Para a pedagoga Josiane Pareja, especializada em Linguagens da Arte pela Universidade de São Paulo e ex-coordenadora da Escola de Educação Infantil Projeto Vida, a exibição exagerada na Internet é causada pela carência. “As redes sociais são fenômenos da era pós-moderna, elas revelam a crise dos valores humanos. O individualismo e o exibicionismo servem para nos sentirmos parte de um grupo”, opina.

Após contratar uma auxiliar para a escola onde trabalha, Josiane precisou conversar com a funcionária porque esta havia publicado diversas fotos sensuais no Orkut. Eram fotos que não comprometiam somente a imagem pessoal da contratada como também a seriedade da escola.

Justamente por saber que, na Internet, existe uma frágil divisão entre o particular e o público, a própria Josiane possui um sóbrio perfil no Orkut, que utiliza para manter contato com os amigos. Ela também gosta de publicar suas fotos, pois acredita que seja uma “maneira de estar mais perto de pessoas queridas”. Para preservar sua intimidade, ela determina quem são as pessoas autorizadas a ver suas fotos.

Por serem relativamente novas, as redes sociais ainda podem comprometer a imagem dos que, por ingenuidade ou exibicionismo, revelam demais sobre o que deveria ser particular. Perfis neutros e enxutos deveriam prevalecer, assim como defendido por Josiane. “Devemos pensar muito no que queremos mostrar e ter claro, dentro do possível, as pessoas que queremos ter em nossa comunidade de amigos”, a pedagoga. 



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