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31/03/2010 - 10h25 - Atualizado em 15/05/2012 - 08h03

A ruína de uma lenda

Por Fernanda Patrocínio, aluna do 3º ano de Jornalismo

Filme de Clint Eastwood ressalta a dependência química do jazzista Bird

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Reprodução

Drogas, bebida, melancolia e jazz. Estes são os elementos mais latentes no filme Bird. Dirigido por Clint Eastwood, o longa narra a carreira do saxofonista Charlie Yardbird Parker, enfocando a sua deteriorização devido ao consumo excessivo de drogas.

Dono de uma personalidade instável, o jazzista – interpretado por Forrest Whitaker – usa seu instrumento como um escapismo ao abismo que há dentro de si. Moderno, o som de Bird destoa-se nas apresentações, cada vez maiores e mais procuradas. O músico é dono de uma força retórica grande, além de que, com seu jeito tímido e incompreendido, acaba por comover a todos. A personalidade cativante de Parker, juntamente com a compaixão, motiva o músico a cometer alguns adultérios e a ser negligente com as pessoas que o rodeiam.

Amigo do ícone Miles Davis, Bird era ousado quando tocava e compunha. Sempre acompanhado por um quarteto, o jazzista encantava platéias. Consagrou-se o rei do sax em entre as décadas de 1940 e 1950. Porém o abuso de drogas e álcool levou o artista a tentar suicídio duas vezes neste período.

Fã de jazz e do Bird, o diretor Clint Eastwood prestou uma homenagem ao gênero musical fazendo o filme. A película biográfica de 1988 revelou um homem frágil diante dos devaneios e angústias humanas e com uma excelente interpretação de Whitaker. O longa Bird deu a Eastwood seu primeiro Globo de Ouro.

Bird faleceu aos 34 anos, em virtude dos excessos cometidos em sua vida. O legista que analisou o corpo achou que o músico tinha 65 anos, devido ao estado de deteriorização. As angústias e sentimentos intensos vividos pelo artista espalhavam-se por aqueles que viviam a sua volta, pois, devido a sua pessoa dramática e emocionalmente abalada, o músico hiperboliza situações e sentimentos. Constantemente à flor da pele, pode-se notar claramente que o carpe diem rege a vida de Bird. E, com essa intensidade, a lenda do jazz musifica seus sentidos com o saxofone.



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