Cantora divide palco com Dado Villa-Lobos e mostra surpresas no repertório
Meu Amor Se Mudou Pra Lua marcou a entrada de Paula Toller no palco. Após a canção, simpática e falante ela soltou um “Boa noite” por volta das 13h. Depois de perceber o equívoco, consertou a gafe atribuindo elogios ao público.
Surpreendeu ao cantar músicas do Kid Abelha, que não costumam fazer parte do set list do show Nosso. Dentre as surpresas estavam os hits Na Rua, na Chuva, na Fazenda, Nada Sei e Como eu Quero, além das já habituais Nada por Mim e a linda versão de Grand’ Hotel. A última foi o ponto alto da apresentação, repetindo a interpretação tocante do DVD, dotada de uma extensão vocal de dar inveja e afinação impecável, ao lado do arranjo de Caio Fonseca, pianista que a acompanha na turnê.
O cúmplice de geração Dado Villa-Lobos dividiu os vocais com Toller em canções nunca antes cantadas por eles. O dueto rendeu versões de sucessos como Por Enquanto, famosa na voz de Cássia Eller e Tudo Que Vai, da banda Capital Inicial. A segunda destoou do repertório previamente preparado pela cantora. As vozes de Dado e Paula não se entrosaram durante o refrão e os trechos anteriores e posteriores ao estribilho, que contavam apenas com os vocais de Villa-Lobos, eram de notório desânimo e fraca interpretação.
O projeto ao vivo lançado por ela, que sucedeu os álbuns anteriores, faz um apanhado da carreira solo da artista. O concerto promovido pela Rádio Eldorado FM e transmitido no programa Grandes Encontros reuniu muitas das músicas apresentadas por Toller nesses trabalhos e agregou as novidades já citadas.
Oito Anos, composição que fala sobre os questionamentos do filho da cantora, esteve no repertório e atraiu a atenção de um tímido coro que entoava o marcante refrão: “Well, well, well, Gabriel”. A breve e forte 1800 Colinas foi ofuscada pelo samba no pé e interpretação descontraída de E o Mundo Não Se Acabou, canção onde Paula camufla a timidez e abusa do palco, aproveitando o espaço que tem a disposição, além de interagir com os músicos.
Jorge Aílton teve como missão atrair a atenção do público nos momentos que antecederam a subida dela ao palco. O cantor – músico fixo da banda de Toller – cantou seis músicas de seu primeiro disco, lançado pelo selo de Paula. Destaque para Atropelada, gravada por Lulu Santos em Singular, recente trabalho do cantor.
Os presentes cantaram em coro as músicas do Kid Abelha – sem dúvida as mais bem recebidas – e os fãs prestigiaram a versão do clássico Fly Me To The Moon e a divertida mescla de Saúde, de Rita Lee e Só Love, de Claudinho e Bucheca. A sofisticação do repertório antigo com as intervenções divertidas tanto nas adaptações feitas nas letras, como no tom despretensioso adotado por Paula, tornaram um show que poderia pecar pela preocupação com a técnica em um concerto divertido e caloroso, através da atmosfera intimista criada por ela durante toda a apresentação.
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