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19/03/2010 - 12h43 - Atualizado em 17/05/2012 - 08h09

Terno, gravata e romantismo em show de Ney Matogrosso

Por Juliana Koch, aluna do 2º ano de Jornalismo

Despido das costumeiras fantasias extravagantes, o cantor surpreende na turnê de “Beijo Bandido"

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Reprodução
Ney em momento do show

O show Beijo Bandido teve a sua segunda temporada em São Paulo prorrogada devido a grande procura. Ney Matogrosso encheu a casa de shows Citibank Hall em seis apresentações, de 5 a 14 de março. Em outubro do ano passado, ele se apresentou no Teatro Bradesco.

Pra quem acompanha a carreira do sul-matogrossense há pelo menos um ano, a mudança entre o show da turnê anterior, Inclassificáveis, e o show atual é aparente. No lugar dos paetês, entra o figurino social. O cenário está mais limpo. As performances de Ney, mais contidas. O repertório, mais clássico e romântico.

Os músicos Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão) trajam ternos pretos. O cantor veste social de cor clara e brilhante. A calça justa e a camisa aberta dão uma sensualidade impressionante para o homem de 67 anos.

O cenário limita-se a um telão, que exibe fotos e vídeos do cantor num fundo branco, com os trajes do show. A iluminação permanece impecável, mas tem uma função mais figurativa do que tinha na turnê passada.

Ainda que muito mais contido, em Beijo Bandido, Ney Matogrosso não deixa de lado seu jeito peculiar de dançar, que provoca reação calorosa do público. O espetáculo é quase teatral, com cenas bem marcadas. O cantor parece uma personagem nos palcos.

No repertório do show estão as 14 músicas que compõem o CD lançado em 2009 pela gravadora EMI Music. Confiante, ele encanta na interpretação de Fascinação, música eternizada por Elis Regina. A voz e o canto de Ney são tão característicos que mesmo canções consagradas como A Bela e a Fera (Chico Buarque/Edu Lobo) e Mulher Sem Razão (Dé Palmeira/Cazuza/Bebel Gilberto) soam como novas. O show ainda contempla Vinícius de Moraes, em Medo de Amar e Poema dos Olhos da Amada, e Roberto Carlos, na romântica A Distância.

O talento indiscutível e o perfeccionismo dele resultam em um espetáculo impecável, que conta com a excelência dos músicos e a competência da equipe. Qualquer coisa abaixo disso não justificaria os altos preços dos shows do cantor.



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