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19/03/2010 - 13h00 - Atualizado em 06/02/2012 - 05h50

John Mayer duela com o amor em Battle Studies

Por Rodrigo Oliveira, Editor do Site

Experiências na vida pessoal marcam trabalho confessional do cantor

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Reprodução

O início da carreira de John Mayer é lembrado por baladas açucaradas e canções que discutiam relacionamentos de forma amena, sem grandes especulações sobre o universo amoroso dos casais. Prova disso é o registro ao vivo Any Given Thursday, cheio de músicas com essas características, como My Stupid Mouth, Neon, Why Georgia, além do sucesso Your Body Is A Wonderland, single marcante do primeiro trabalho dele, Room For Squares.

O jovem glabro, tímido no palco, que ganhava força quando solava na guitarra, cresceu e mudou o estilo. Os trabalhos seguintes exemplificam isso. Com Havier Things mostrou o lado ‘músico habilidoso’. No cd ao vivo Try! - parceria com Steve Jordan e Pino Palladino – as façanhas se confirmaram. Não satisfeito surgiram na sequência, Continuum, flerte com o blues e mais um álbum ao vivo, Where The Light Is, apanhado da carreira do cantor até então.

Maduro e bem amparado nas produções que realiza, Mayer lança Battle Studies, duelando com o amor no decorrer das onze faixas do álbum. O conturbado relacionamento com a atriz Jennifer Aniston contribuiu para o surgimento das canções. Sem dúvida, o término foi a principal inspiração para o repertório.

A música de trabalho, Who Says, dialoga sobre como o artista levava a vida e a forma que pretende reescrever sua história. Em determinado trecho ele canta: “It’s been a long night in New York City, It’s been a long night in Baton Rouge”. É evidente o quanto o cotidiano mudou após o rompimento com Aniston e a canção trata de como o processo de recuperação pode ser moroso.

Os nomes das músicas dão indícios de que um dos temas chaves do disco também é a ausência. Nessas faixas a voz afinada e sedutora de Mayer camuflam versos melodramáticos demais. Em Perfectly Lonely, o clima bucólico desaparece e dá espaço a Steve Jordan e sua bateria. Para completar o coração dele em frangalhos, a metade escolhida para os vocais de Half Of My Heart foi a cantora Taylor Swift, adicionando o charme de seu timbre.

Os conflitos interiores deixados pelas experiências vividas são explorados em War Of My Life e Edge of Desire, um pouco mais 'sombrias' se comparadas às construções imagéticas das outras músicas. Sem grandes alterações na entonação do cantor e desprovida de experimentações na parte instrumental, chega War Of My Life, em tom cru, seco, mas objetivo e franco na letra. Já em Edge of Desire, Mayer aos poucos vai libertando os sentimentos guardados e a voz ganha notoriedade por completo no final da canção.

Crossroads, de Robert Johnson, apazigua o clima 'dor de cotovelo' e dá a oportunidade do cantor mostrar que consegue impor o seu estilo em composições de músicos consagrados. Em trabalhos anteriores, ele foi feliz ao realizar covers, como a de Bold As Love, de Jimi Hendrix, no álbum Continuum.

O álbum produzido por Steve Jordan segue a trilha iniciada em Continuum, mas sem grandes 'estripulias' e invenções, principalmente com os instrumentos de corda. Em contrapartida está repleto de especulações do cantor para seu eu, até então, discreto e contido.

Battle Studies é o período de adaptação que ele enfrenta; a tentativa de reorganizar a vida. Mas muito mais que isso. O álbum é o desabafo de Mayer e a maneira de registrar todas as sensações experimentadas durante um período inesquecível de sua vida.



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