Banda inglesa toca para 60 mil pessoas no Morumbi em show de gente grande

O som da valsa Danúbio Azul às 21h50 revela que o show está para começar. A platéia acompanha a canção com palmas e ansiedade. A última nota é a deixa para que os instrumentos de Life in Technicolor soem por todo estádio do Morumbi e as luzes se apaguem. Cores e brilhos compõem o cenário, enquanto a banda britânica Coldplay se posiciona no palco. Esta foi a abertura da turnê Viva la Vida, apresentada no último dia 02 na capital paulista.
Repleto de hits e efeitos especiais, a banda tocou 23 músicas e o show durou cerca de 1 hora e 45 minutos. Violet Hill foi a primeira música apresentada e logo contagiou o público com sua batida marcante. Simpático, o vocalista e líder do quarteto, Chris Martin, dançou e pulou durante toda a apresentação e conversou diretamente com a plateia, arriscando frases em português. Além do tradicional “Tudo bem, galera?”, ele elogiou o coro feito em Fix You com um orgulhoso “Excelente!”.
Ao som dos primeiros acordes de Clocks, o palco e o público foram iluminados por luzes e raios vermelhos. Já In my Place e Yellow mostraram a força das primeiras composições de Martin. Nessa última canção, balões amarelos caíram na pista e os telões registraram o ânimo e a interação do público. Ao término da música, o vocalista pediu ao Morumbi que cantasse mais uma vez o trecho inicial da canção em homenagem ao jogador de futebol Ronaldo, devido à hospitalidade do atleta em receber os músicos no Parque São Jorge àquela manhã.
O show inteiro foi composto de músicas conhecidas sem que nenhum dos quatro álbuns do grupo passasse em branco. Sentado ao seu piano, Martin tocou Glass of Water, 42, Fix You, Strawberry Swing, God Put A Smile Upon Your Face e Talk bem próximo do público. Postcards from far away deu um toque final à interpretação individual dele.
Em Viva la Vida, o coro apaixonado no refrão foi semelhante aos cantos de torcidas organizadas, estimulando o time. O efeito não foi diferente sobre os britânicos. O baterista Will Champion estava visivelmente empolgado, tocando com intensidade o bumbo, assim como Martin, que no final da música se deitou no chão de uma das plataformas alternativas. Will e Chris, juntamente com Guy Berryman (baixo) e Jon Buckland (guitarra), desceram do palco em fila indiana, atravessando parte da pista no mesmo nível que a plateia. Em uma passarela, o quarteto tocou um acústico com Death Will Never Conquer e Don Quixote, canção inédita. Champion iniciou um Parabéns a Você, em português, a Chris Martin – o frontman completou 33 anos naquele dia. “Não há nada melhor do que 60 mil brasileiros cantando Parabéns”, disse o vocalista, acanhado e emocionado.
Politik, Lovers in Japan e Death and all his Friends encerraram a primeira parte do show. Milhares de borboletas de papel foram jogadas sobre a plateia, levando a apresentação ao seu clímax. O bonito efeito foi acompanhado por Chris Martin durante a canção Lovers in Japan, na qual ele segura uma sombrinha oriental e dança alucinadamente à frente de imagens nipônicas projetadas no telão.
Com milhares de máquinas fotográficas e celulares à mão, o público delirou de emoção ao início de The Scientist. Life in Technicolor 2 e The Escapist encerraram a bela e visualmente marcante apresentação dos britânicos. No final, a organização da turnê presenteou os fãs com um CD exclusivo Left Right Left Right Left. Contudo, o tumulto e um número de pessoas acima do esperado fizeram com que somente poucos fossem agraciados com o disco de sucessos ao vivo.
Apesar de belo, o espetáculo contou com muitas reclamações. Os fãs que ficaram nas arquibancadas reclamaram do baixo volume do som. Deste lugar, o público deveria escolher entre cantar ou ouvir a banda tocar. Com um show impecável nos detalhes estéticos, a produção falhou no item mais importante de qualquer apresentação musical: a qualidade sonora. Na pista, apesar de cheia, foi possível ouvir perfeitamente as canções.
Nesta terceira passagem pelo Brasil, o quarteto tocou para 60 mil pagantes, provando ao público brasileiro o porquê da turnê Viva la Vida ser considerada a melhor apresentação do mundo, segundo as principais revistas de entretenimento.
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