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12/03/2010 - 10h42 - Atualizado em 21/05/2012 - 11h09

Engajamento às avessas

Por Luma Pereira, aluna do 3º ano de Jornalismo

Como gerar discussões, refletir a respeito e se engajar nos moldes atuais?

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Alexandre Makhlouf
Os palestrantes Paulo Jonas de Lima Piva e Marília
Mello Pisani 

No dia 11 de março, das 13h às 14h30, ocorreu o Café Filosófico no Parque Trianon. Os palestrantes Paulo Jonas de Lima Piva e Marília Mello Pisani, Doutores em Filosofia pela USP e Ufscar, respectivamente, propuseram discussões sobre as várias contribuições da filosofia para o pensamento humano, em especial aquela que se refere ao engajamento.

Piva conversou sobre as funções da filosofia na atualidade. Hoje em dia, assuntos como a política não são mais tão referidos como antigamente. Citando o filósofo francês Jean-Paul Sartre, pensador engajado, o palestrante reforçou a ideia de que a filosofia necessita, de alguma forma, transformar a realidade de nossas vidas.  Uma das maneiras de efetivar isso é resgatar uma postura crítica e filosófica frente às causas pelas quais devemos lutar. Hoje estão em voga a filosofia clínica e a voltada para auto-ajuda, assuntos não menos importantes. Porém, a verdadeira reflexão reside não apenas em interpretar ou entender o mundo, mas em tentar transformá-lo.

Pisani citou o filósofo alemão Herbert Marcuse. Ele concorda que deve haver polêmica crítica na filosofia. Porém, na nossa sociedade, tais reflexões se tornam inviáveis devido às características da vida moderna. Se antes recorríamos à filosofia para encontrar saídas, hoje não temos mais tempo para pensar o mundo. O estudioso defende que precisamos modificar o nosso modo de vida.

Ao final do evento, foi levantada a seguinte questão: como é o engajamento de hoje? Pisani responde que devemos nos manifestar, falar. Através da comunicação,  diálogo filosófico, troca de experiências, é possível surgirem ideias acerca da política e do engajamento, além de todas as outras questões que precisam ser tratadas. Também não devemos aceitar situações e avançar no conformismo, mas sim discutir, levantar a voz.

Nos tempos de Sartre, tudo era dito publicamente, e as pessoas participavam mais das questões referentes a diversas causas. Hoje, porém, essas conversas, apesar de não serem mais tão freqüentes como antes, ainda ocorrem, mas no âmbito privado. O que ficou foi um engajamento modesto, vindo da família, salas de aula e discussões feitas em pequenos grupos. A voz está somente mais baixa.



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