Com o nome paradoxal de Criação, o filme que conta a história familiar de Charles Darwin estreia neste próximo dia 19 de março, trazendo um drama familiar fiel a história real do autor do livro A Evolução das Espécies. Interpretado por Paul Bettany, ele é retratado não meramente como um homem que rompeu com a religião, mas como um pai de família, aliando sua gigantesca pesquisa a um modo de vida, mesmo nas piores situações.
O casamento de Darwin com a prima Emma Wedgwood é a trama central. Além das lembranças de viagens feitas antes do matrimônio, ele é apresentado como um homem perturbado pela morte da filha Annie. Com a menina morta aos 10 anos devido a uma doença genética, o cientista naturalista não consegue aceitar que a criação voltada para a ciência da criança foi destruída pela seleção natural, foco de seus estudos. A igreja cristã, representada pelo vilarejo onde o estudioso vive, começa a rejeitar as pesquisas, difundidas principalmente entre seus próprios filhos. A esposa se mantém fiel à religião, mas Darwin, concentrado nos escritos e alucinação da filha morta, afasta-se desse circulo social pouco a pouco.
A espiritualidade, mesmo em uma pessoa descrente do criacionismo cristão, é tema do filme no meio das aparições de Annie com Darwin. O terror de perder a filha se transforma em revolta contra a Igreja e doença na vida dele, que encontra, durante a redação de A Evolução das Espécies, a redenção como homem e pai. O longa é repleto de flashbacks, mas sem comprometer a narração principal.
No entanto, para aqueles que esperam encontrar o Darwin envelhecido, já consagrado como cientista, vai se decepcionar porque a obra não traz essa fase da vida dele. O foco permanece no círculo familiar, desagradando aos que são fãs somente do trabalho profissional do estudioso.
A atuação de Jennifer Connely como Emma Wedgwood se destaca especialmente no auge da depressão de Charles. O filme é comprometido com acontecimentos históricos, ao contrário de outros como O Segredo de Beethoven ou Amadeus. Por mais que exista partes adaptadas, a fidelidade com os fatos foi prioridade do diretor Jon Amiel, resultando em um longa de fácil assimilação, bom de ser visto.
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