Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Filmes

05/03/2010 - 09h03 - Atualizado em 19/05/2012 - 07h09

Desprestigiado no Brasil, aclamado pela crítica

Por Wilson Saiki, aluno do 3º ano de Jornalismo

Com baixo orçamento Guerra ao Terror surpreende com produção impecável

Compartilhe:


Reprodução
Cena do filme

Lançado em DVD no Brasil antes de chegar aos cinemas, "Guerra ao Terror" recebeu nove indicações ao Oscar e ganhou os prêmios dos três grandes sindicatos norte-americanos: diretores, produtores e roteiristas, candidatando-se como favorito às duas principais categorias da Academia – melhor filme e diretora, Kathryn Bigelow, reconhecimento que uma mulher nunca recebeu.

Ao retratar um grupo especial antibombas que atua no Iraque, o enredo revela a tensão, dificuldades e conflitos pessoais de cada um dos soldados envolvidos. William James, interpretado por Jeremy Renner, é o responsável por desarmar os artefatos explosivos e conta com uma equipe de retaguarda para apoiá-lo e tentar controlar o “vício” do tenente pela adrenalina da guerra. O longa foi rodado na Jordânia e no Kuwait, com atores iraquianos nos papéis secundários. Ali, o tempo é marcado pelos dias restantes para o fim da missão do batalhão liderado por James. Sem explorar o sentimentalismo, a diretora consegue mostrar toda a emoção envolvida no conflito.

Diferentemente de duas produções que retrataram o mesmo tema – "No Vale das Sombras" e "Redacted", dirigidos por Paul Haggis e Brian de Palma, respectivamente – Bigelow alcançou um grau de realismo surpreendente, sem fazer juízo de valor sobre uma questão delicada,fugindo da armadilha do envolvimento puramente emocional entre os personagens e a guerra.

Um dos aspectos interessantes é o roteiro escrito por Mark Boal, baseado em reportagens escritas por ele na cobertura das Guerras do Afeganistão e do Iraque. Mesmo roteirista de "No Vale das Sombras", mas desta vez acerta no tom e também entra o ano como um dos favoritos na disputa pelo Oscar.

"Guerra ao Terror" prende a atenção do espectador da primeira à última cena e nos coloca na posição dos combatentes. Uma experiência alcançada com as filmagens com a câmera na mão, forte percepção das cores quentes e imagens sujas. Os efeitos especiais tornam-se menos importantes, comparados à habilidade da diretora em escolher os melhores ângulos e tomadas, além da direção dos atores, todos com boas interpretações.

O filme não deixa de fazer uma crítica política, mas não cai no discurso panfletário, muito comum no cinema atual, tendo sido comparado por alguns críticos ao clássico de Francis Ford Coppola, "Apocalypse Now", retrato da Guerra do Vietnã. Com um custo aproximado de US$ 11 milhões, o longa de Bigelow pode se encaixar entre os gêneros de documentário e guerra, com produção técnica perfeita: fotografia, efeitos e som.

Em tempo, "Guerra ao Terror" foi premiado pela Academia Britânica (BAFTA) nas principais categorias: Melhor Filme, Diretora e Roteiro Original, desbancando o grande concorrente, "Avatar", de James Cameron. Cada vez mais o filme de Kathryn Bigelow se credencia a levar também as estatuetas mais prestigiosas do Oscar, caso isso ainda tenha alguma importância, pois nunca se sabe qual será a decisão dos votantes, que já decepcionaram muitas vezes.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.