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26/02/2010 - 10h37 - Atualizado em 15/05/2012 - 08h03

O suor multirracial

Por Fernanda Patrocínio, aluna do 3º ano de Jornalismo e Paulo Pacheco, do 2º ano de Jornalismo

Filme mostra lições de superação e esperança em um país tomado pelo apartheid

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Reprodução
Os atores Morgan Freeman e Matt
Damon

Invictus, dirigido por Clint Eastwood, mostra como Nelson Mandela utilizou o rúgbi para unificar uma nação dividida pelo apartheid. Escolhido pelo ex-presidente para interpretá-lo na película, Morgan Freeman dá vida a um líder sensível, que olha com otimismo as pequenas vitórias em uma nação desgastada político e socialmente.

É com este espírito esperançoso que Madiba – forma carinhosa na qual os sul-africanos chamam Mandela – dá forças a seleção de rúgbi do país (conhecida como Springbooks), contrariando a todos. O esporte é uma das heranças da colonização britânica na África do Sul, sendo praticado majoritariamente pela população branca. Ao assistir a uma partida, ele percebe que a seleção é um grande fiasco, como a nação dividida entre brancos e negros. Sendo assim, promove a mobilidade social entre os sul-africanos pela Copa do Mundo.

O capitão do time de rúgbi, François Pienaar, é o escolhido por Mandela para representar essa nova esperança da África do Sul. Interpretado por Matt Damon, o personagem vem de uma família que é contra o fim do apartheid e teme que a liderança do negro Mandela se vingue da presença branca no país. Madiba ficou 26 anos preso devido ao governo regido por brancos. Pienaar é convidado a tomar chá – outro hábito inglês – com o presidente e, nesta conversa, ele revela o desejo de ver, até então, o fracassado time de rúgbi da África do Sul sendo campeão do mundo. Na equipe só há um jogador negro e este é o grande ídolo do país, não somente pelo desempenho em campo, mas devido ao peso simbólico de um afrodescendente em um time predominantemente branco.

Mandela mescla esporte e política, construindo uma emocionante narrativa contemporânea da África do Sul. No decorrer da história pequenos gestos de união intrerracial são evidenciados, alegrando o sábio governante. A dedicação dele é tanta que há momentos em que os personagens se perguntam se ele está interessado somente na política ou no esporte também. O presidente cria um vínculo forte, quase familiar, com os atletas do time de rúgbi. Passa a deixar a política em segundo plano e transforma a modalidade em paixão nacional. Fato é que a perseverança em todo processo transforma uma nação, que apesar de continuar pobre, tem sua auto-estima aumentada.

Freeman incorporou o Madiba na vestimenta, discursos e até mesmo no peculiar sotaque inglês do idioma sul-africano. A narrativa do longa deu um tom mais romântico, quase canônico, à vida dele. Essa característica se evidencia quando Pienaar visita a cela onde o presidente ficou preso. Ele, recordando o poema que o líder lia para se reerguer, percebe a responsabilidade de unir seu time para que Mandela pudesse unir seu povo.

No filme, Eastwood usa um esporte violento para representar a realidade crua que a África do Sul vivia. A segregação racial, miséria, sobretudo da população negra, rivalidades e falta de esperança no país e no sentimento de cidadão sul-africano são tão transparentes quanto as vexatórias derrotas dos Springbooks. De forma agressiva e perseverante a história de superação é construída, valendo-se a força interior que cada um carrega em si. A imagem do início da película, em que crianças negras abandonam o jogo de futebol para saudar intensamente Mandela, revela que ali transita um dos maiores ícones da contemporaneidade.

Quem assiste a Invictus sai do cinema encantado com lições de superação contadas no longa: a seleção desunida, preterida pela maioria da população, mas que conseguiu vencer a Copa do Mundo; a de Mandela, abandonando o triste passado de segregação para reconstrução de sua nação e da África do Sul, que sedia a Copa e mostra o significado do patriotismo ao mundo. Dever cumprido para um homem que, através do esporte, trouxe de volta o amor para seu país.



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