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09/02/2010 - 17h04 - Atualizado em 21/05/2012 - 04h06

Musical intimista e imperdível

Por Thiago Rebouças, aluno do 4º ano de Rádio e Televisão

Filme indie com canção vencedora do Oscar

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Reprodução
Os atores Glen Hansard e Marketa
Irglova

Muitas pessoas erroneamente associam musicais àqueles filmes com cenários exuberantes, centenas de dançarinos, coreografias perfeitas e figurinos impecáveis. Essa é a imagem que Hollywood passou ao longo dos anos, com  produções milionárias.

Na essência, eles são filmes nos quais a música é a principal força que guia a ação. Com Apenas Uma Vez, de 2007, o roteirista e diretor John Carney construiu uma das obras mais delicadas e sensíveis do segmento. O longa é uma fábula urbana, e conta a história de dois personagens que nem recebem nome. O garoto (o cantor Glen Hansard) é um reparador de aspiradores de pó, que canta no centro de Dublin nas horas vagas para ajudar o pai; a garota (a também cantora Marketa Irglova) é uma vendedora de flores da República Tcheca, residindo na Irlanda, em busca de uma vida melhor.

Os dois se conhecem por acaso, e no decorrer do filme a música deles nos guia por uma história simples, direta e tocante. As canções surgem dos diálogos com uma naturalidade poucas vezes atingida nos musicais.

Apenas Uma Vez é uma verdadeira lição para os executivos de Hollywood, pois acham que os musicais dependem de estrelas da música pop e milhões de dólares, como Dreamgirls e Chicago. O filme irlândes foi feito em 17 dias, com uma verba de 130 mil euros da comissão de cinema do país. O diretor John Carney pagou os salários dos protagonistas (seus amigos do mundo musical de Dublin) do próprio bolso; usou duas câmeras portáteis de vídeo e gravou sem autorização nas ruas da capital. As cenas internas foram gravadas nas casas dos atores e do diretor.

A verba para o filme só foi liberada depois de um verdadeiro imbróglio. O executivo chefe da comissão de cinema vinha por anos negando o dinheiro para o projeto, e foi só quando ele se afastou e a comissão ficou sem chefe por um curto período que um gerente liberou o financiamento. O lançamento, em 2008, foi em poucas salas e em muitos países o longa foi direto para as locadoras.

Steven Spielberg foi citado pela imprensa quando o assistiu em um festival : ‘’ um pequeno filme chamado Apenas Uma Vez me deu inspiração suficiente para o resto do ano’’. John Carney ficou impressionado com o comentário e brincou: ‘’ bom, no final das contas ele é apenas um cara de barba’’.

Hansard e Irglova, escreveram e cantaram todas as músicas, que surpreendem pelo romantismo e beleza. Não à toa, ganharam o Oscar 2008 por melhor canção original com Falling Slowly. Um sinal de que se Hollywood continua produzindo mais do mesmo, pelo menos está atenta ao que acontece de original no resto do mundo.



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