Honoré de Balzac foi um dos mais fiéis retratistas da sociedade francesa do século XIX, tanto que suas histórias são enquadradas dentro da chamada “Comédia humana”, título geral que une suas 89 obras. Em Ilusões Perdidas, o autor narra a história de Luciano, moço simples de uma província do interior da França, detentor de inúmeros talentos literários e que sonha em fazer sucesso na capital.
Filho de um farmacêutico falido, ele traz no sangue a nobreza por parte da mãe. Porém, as adversidades da vida fazem com que seu lado nobre seja ofuscado. O talento e beleza de Luciano, logo encantam a Sra. de Bargeton. Seduzida e apaixonada, abandona a vida provinciana para aventurar-se com ele em Paris. Ao chegarem à cidade luz, é convencida da inferioridade do moço pela prima, Sra. d´Espard, e também pelo barão Du Châtelet, homem ardiloso, freqüentador das rodas da alta sociedade parisiense e que nutre por ela uma paixão capaz de todas as tramóias.
Abandonado por aquela que acreditava ser o grande amor de sua vida, ele se vê sozinho em Paris, com poucas economias e sem ter para onde ir. Dois manuscritos escritos por ele - um livro de poesias e um romance histórico - , era tudo o que possuía. Ainda assim, não entra facilmente no mundo literário da capital francesa. Depois de momentos de extrema miséria, conhece Ethienne Lousteau, jornalista de uma publicação liberal que o introduz no mundo das letras e mais tarde será um dos responsáveis por sua ruína. A partir de então, Luciano vê a vida melhorar, pois a carreira decola e torna-se reconhecido por toda a cidade.
Seduzido pelo luxo e extravagância dos salões de Paris, ele entrega-se à vida fácil. Vicia-se em jogos, descobre os prazeres do álcool e, em pouco tempo, vê a fortuna que conquistou ir por água abaixo. Antes disso, porém, conhece Corália, uma jovem atriz por quem se apaixona, vivendo um tórrido romance, até os últimos suspiros da moça. Novamente na miséria e sozinho em Paris, Luciano decide, então, voltar para a província, em busca do amor familiar e de um lugar para reconfortar-se diante do fracasso que enfrentara.
Além de explorar com detalhes as relações humanas, Balzac recria uma fiel representação da imprensa e do jornalismo praticado nos anos 1820. O autor o toma como uma verdadeira chaga na sociedade, afirmando que ele é capaz de elevar e de destruir uma pessoa, a depender dos interesses em jogo. Tal afirmação fica clara na história de altos e baixos da vida do protagonista.
A prosa por vezes detalhada de Balzac torna-se, em alguns momentos, enfadonha, mas a qualidade narrativa e a maneira com que entrelaça as personagens prendem o leitor de maneira que, a cada página, ele fique na expectativa de um novo acontecimento.
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