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09/02/2010 - 17h25 - Atualizado em 08/02/2012 - 13h10

Alô, alô, Paloma!

Por Paulo Pacheco, aluno do 2º ano de Jornalismo

Profissional envolvida na produção de documentário sobre o Velho Guerreiro

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Reprodução
Paloma Piragibe

Às vésperas de completar 28 anos, Paloma Piragibe já coleciona sucessos na carreira profissional. Formada em Jornalismo pela PUC, a carioca viveu o auge trabalhando como produtora de Alô, Alô, Terezinha, documentário dirigido por Nelson Hoineff, exibido recentemente nos cinemas, sobre a trajetória do ícone da TV Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Atualmente redatora do programa Show do Tom, da Rede Record, Paloma revela que o começo na área não foi fácil – chegou inclusive a trabalhar de graça – e confessa a paixão por personagens da vida real.

Como foi o início de sua carreira?

Fiz 5 anos de Jornalismo na PUC-Rio. O normal são 4 anos, mas trabalhei do segundo para o terceiro período. Sempre vi o trabalho como algo importante demais. Aos 20 anos, lutei para estar em uma redação de jornal (qualquer uma),me ofereceram o “Jornal dos Sports”: esporte amador, educação, saúde e especiais de futebol... descobri minha paixão por personagens, histórias boas pra contar. Trabalhei lá um ano e dez meses, os quatro primeiros sem ganhar nada, dando plantões como todo mundo. Depois, fui chamada para uma entrevista com a ex-técnica de ginástica olímpica e ex-deputada estadual no Rio, Georgette Vidor, para sua assessoria de imprensa. Entrei no mundo das pessoas com deficiência e essa foi uma das grandes recompensas. Foi aí que descobri a imagem e o som. Produzi um programa na televisão pública para Georgette, PPD em Debate (Pessoa Portadora de Deficiência em Debate).

Desde quando surgiu o interesse por televisão e decidiu que queria seguir carreira audiovisual?

Acredito que foi quando entrei no Programa Estagiar da TV Globo. Eram oito ou nove etapas, fui passando e fiquei um ano na Editoria Rio da TV Globo. Quando o estágio acabou, não me contrataram, mas a galera do Fantástico conhecia meu trabalho pelos corredores, por achar ótimos personagens. Fiquei um ano colaborando nas reportagens e depois me deram um contrato de quatro meses. Ser produtor de reportagem é mais ou menos como ser produtor de documentário, só que com a diferença de jogar no “time” da TV, ou seja, absolutamente rápido. A responsabilidade é enorme e acho que fazer televisão é gostoso por isso: desafio de um bom conteúdo junto com tempo.

Como conheceu Nelson Hoineff?

Quando o contrato acabou, o produtor Eduardo Faustini me indicou para Nelson Hoineff para fazer o filme Alô, Alô, Terezinha. Só falei ao Nelson assim: “Amo personagens reais.” E ele: “É isso. O filme do Chacrinha será tudo que o cerca. Você pode começar amanhã?” E fiquei dois anos na produtora audiovisual do Nelson – Comunicação Alternativa (COMALT).

Como conheceu Abelardo Barbosa, sendo tão pequena na época da morte dele?

Lembrava do Chacrinha sábado à tarde em casa com os primos, mas nada profundo. Sabia que era um apresentador. Já era louca por TV, mas não imaginava trabalhar nela. Lembro demais da cobertura do seu enterro. Já na faculdade de comunicação ele era um mito. Identifiquei-me demais com Chacrinha. Como produtora ao lado do Daniel Maia e pesquisadora, obviamente que descobri e conheci Chacrinha por centenas de programas, estudando uma gargalhada dele, por exemplo, um bordão, livros, o comportamento no palco e como queria os programas de sucesso que realizou. Ele é único. Digo a todos que estudam comunicação: “Conheçam um pouco a respeito dele.

Alô, Alô, Terezinha foi sua primeira experiência com documentários?

De um longa sim. Mas, quando trabalhei com Georgette, já tinha decidido que meu TCC seria um documentário e com quatro personagens com deficiências diferentes. Tive a coordenação do grande cineasta e professor Silvio Tendler, que apoiou a ideia.

A produção teve o cuidado de transformar o documentário em um registro histórico, muito mais do que um simples momento nostálgico?

Desde o início, Nelson não queria algo biográfico. Ele desejou um Cassino do Chacrinha (último programa do velho guerreiro) dentro da tela grande. E foi isso que fizemos. Alô, Alô, Terezinha mostra ao máximo o comunicador através dos calouros, artistas, chacretes, ou seja, exatamente tudo que o cercava.

Foi difícil encontrar os ex-calouros e ex-chacretes que aparecem no documentário?

Não foi fácil, mas foi prazeroso. Ligava para associações de moradores. Mas até que um dia, durante a dificuldade, pensei: “Rádio é um grande meio de comunicação, calouros em grande parte eram de baixa renda, certamente não estão na internet, pois escutam emissoras populares”. Foi aí que comecei a mandar notas para todas as rádios comunitárias. Recebemos trote de pessoas querendo cinco minutos de fama, mas aí o jornalismo atuou muito. Selecionamos várias histórias, imagens, como foi o caso do Manoel de Jesus (personagem do filme). Achamos grande parte das ex-chacretes através de Nanato e Leleco Barbosa (filhos do Chacrinha). Mas para encontrar a Fátima Boa-Viagem, por exemplo, Nelson sempre visitou a cidade Lumiar (região serrana do Rio), e alguém comentou que ela trabalhava lá. Eles se encontraram e produzimos.

Os ex-calouros do Chacrinha ficaram surpresos por terem sido requisitados após tanto tempo em que apareceram na TV?

Eles, as ex-chacretes e até artistas como Biafra. Aquele momento de achá-los e marcar uma entrevista foi uma glória para todos. Ligavam para saber quando o filme seria lançado, choraram no lançamento. Ficaram eternos na telona, é assim que acham.


A última cena de Alô, Alô, Terezinha traz o assistente de palco Russo caminhando ao som da canção de abertura do Cassino do Chacrinha no piano. Esse fim melancólico foi proposital, como se representasse a TV pós-Chacrinha (apática, sem alegria)?

Isso foi uma leitura sua. Bela leitura, aliás. Mas não tem como falar do Chacrinha para as pessoas que lhe assistiam sem a palavra “saudade” estar presente. Buscamos o real. Deixamos as chacretes falarem. Um bom jornalista sabe escutar. Com o filme todos que viveram momentos de glamour e foram esquecidos, se sentiram como uma etapa cumprida.

Você agora integra a produção do Show do Tom, da Rede Record, em que são produzidas paródias, como a do filme Tropa de Elite (Bofe de Elite) e do reality show A Fazenda (O Curral). Acredita que, com isso, leva adiante o ensinamento de Chacrinha, que disse que "na TV, nada se cria, tudo se copia"?

Para mim, Tom Cavalcante é um artista completo. Além de humorista, se ele quisesse atuar em um musical sairia bem demais. Como Chacrinha, ele faz diferença na televisão. Não apenas pela elevada audiência que tem, mas pelo trabalho. Pensa 24 horas em televisão, e tenta “pescar” tudo para usar em algum momento no futuro. Ele é gênio, e fazer parte de sua equipe e ter feito [o documentário do] Chacrinha são coisas de Deus.

Depois de Alô, Alô, Terezinha, pensa na próxima produção? Sonha em ser diretora?

Sim. Já tenho projetos em mente e aqueles outros que sonhamos, não é? Um deles é para 2011, de outro personagem que mudou a televisão. O que sonho ainda é realizar um documentário sobre o Tom, porque a história e tudo que o cerca é grande demais. E o melhor: continua fazendo história, está vivo para poder assistir ao filme, diferentemente do Chacrinha.



Comentários Comentários Postados
monica vieira ramos [30/07/2011 - 15:30]

quando criança o meu pai[inmemoria]nao perdia um programa do chacrinha pois ele pegava minha mae e mentia que iaomos passear, e la iamos pra cas de minha tia por que nao tinhamos tv so para assistir o chacrinha , eu me lembro que era muito pequena e tocava uma musica no prog e meu pai queria que eu ficase na frente da tv dançando pois eu tinha uma prima de meu pai que era dançarina chama-se fatma boa viagem e eu ate hoje com 46 anos nao consegui conhecer e saber se era verade pois a familia de meu pai ja se foi ele era o ultimo dos ramos mais eu nao perco a esperança de emcontrar co b

Carlos[14/11/2011 - 10:09]

Achei um LIXO o documentário "Alô, alô Terezinha".É vulgar e de baixo nível.Além de tudo, ficaram destacando meros desconhecidos, que um dia receberam o Troféu Abacaxi.Se eu fosse da família do Chacrinha, jamais deixaria produzirem tamanha porcaria.

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