Ideologia e história em Homem de Ferro
Na Guerra Fria, as histórias em quadrinhos foram fundamentais para propagar a ideologia norte-americana e predispor as novas gerações a se voltarem contra a União Soviética. Uma das principais figuras nessa empreitada foram os super-heróis dos quadrinhos. De acordo com o pesquisador Moacy Cirne, o “mito da classe-média americana em busca da auto-afirmação, identificando-se com a prepotência imperialista numa luta culturalmente mal resolvida entre 'mocinhos' e 'bandidos', com as cartas já marcadas". Neste cenário, o maniqueísmo era lugar comum, característica que marcava a maioria das tramas das histórias em quadrinhos. Se a América é a mocinha, a União Soviética só pode ser a vilã.
Criado em 1963, quando os Estados Unidos saiam da Crise dos Mísseis de Cuba, O Homem de Ferro (Iron Man) foi apresentado pela Marvel Comics no gibi “Tales of Suspense”, número 39, no qual dividia espaço com Capitão América e outros heróis. Ao contrário das outras personagens, o Homem de Ferro não tinha nenhum poder sobre-humano. Seu equipamento era a inteligência e de uma armadura impenetrável, origem de sua alcunha. Em 1968, ganha uma publicação própria, The Invencible Iron Man, dividindo-se entre as duas revistas.
Tony Stark é fornecedor de armamentos para o governo americano, e quando vai ao Vietnã durante a guerra checar a fabricação de uma de suas armas, é vítima de um acidente que aloja fragmentos da bomba próximos a seu coração. Ele é encontrado por um grupo terrorista, que o aprisiona e obriga-o a desenvolver uma arma letal contra os americanos. Enquanto finge trabalhar no pedido do grupo, Tony desenvolve um aparelho que mantém os estilhaços longe de seu coração, além de uma armadura. Para isso, conta com auxílio do professor Yin Sen, também prisioneiro. Stark consegue escapar, ao contrário de seu cúmplice, morto pelos vietnamitas. De volta aos Estados Unidos, Stark completa sua armadura, ainda inacabada devido às condições de sua construção, e se torna o Homem de Ferro, paladino da justiça.
Na história, tipicamente heróica, é possível perceber a rivalidade da personagem com os soviéticos, representados pelos vietnamitas patrocinados pela URSS durante a Guerra de Vietnã. Essa oposição continuará clara com os outros vilões do gibi, alguns deles claras representações da ideologia de esquerda – caso do Mandarim, milionário que perdeu sua fortuna na Revolução Comunista da China e pretende recuperá-la a qualquer custo, e do Dínamo Escarlate, um cientista russo alucinado e nacionalista que almejava conquistar o mundo.
Além do papel ideológico que desempenharam dentro dos EUA, os gibis norte-americanos sempre tiveram grande impacto no exterior, principalmente nas áreas de influência dos Estados Unidos. Além de disseminar a propaganda anticomunista, eles também serviam, e ainda servem, para reforçar sua hegemonia..
Com o fim Guerra Fria, o significado ideológico dos quadrinhos da época ficou em segundo plano. Porém os gibis, juntamente com os super-heróis, continuam com sua missão de ratificar a ideologia norte-americana. Uma forma de expandi-la está na adaptação das histórias em quadrinhos para os cinemas.
É possível ver o prosseguimento dessa função no filme “O Homem de Ferro”, que estreou no final de abril de 2008. A história ainda é a mesma, com alterações sutis: no lugar do Vietnã em guerra, o Afeganistão em batalha com os Estados Unidos; saem os comunistas, entram terroristas mulçumanos. Muda-se o alvo, mas a tática permanece.
Comentários Postados
eu nao gostei da historia
O cara vlws aii gostei muito ! , isso aew q eu tava procurando para meu trabalha de historia , muito fera essa ideologia :D
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