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19/01/2010 - 12h55 - Atualizado em 08/02/2012 - 05h27

Muito além do “fácil de calçar”

Por Ana Maria de Camargo Luiz, aluna do 1º ano de Jornalismo

Símbolo Cultural que dita moda

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Reprodução

Todo mundo já teve, tem ou vai ter um All Star. Esse popular tênis, de lona com solado de borracha, tornou-se um ícone norte-americano e mundial, sendo vendido hoje em 20 mil lojas independentes espalhadas por 144 países. Ninguém sabe dizer ao certo o que lhe atrai neste calçado, mas uma coisa parece unânime: o estilo. O preço democrático também o torna acessível a praticamente todas as classes sociais, e seu modelo mais tradicional já se transformou em coringa de qualquer guarda-roupa, seja o usuário seguidor ou não de alguma tendência da moda. Além disso, o All Star também é popular devido a seu conforto e durabilidade – o que deu origem à frase: “All Star: quanto mais velho, melhor.”

Sua história é centenária, e começa com a fundação da Converse Rubber Company, na cidade de Malden, em Massachusetts, no ano de 1908. Tudo começou com um acidente de seu fundador, o norte-americano Marquis M. Converse, que, após se machucar caindo de uma escada, decidiu criar um tênis mais aderente, com sola de borracha. A primeira versão de seu maior sucesso, o All Star, nasceu em 1917, e o primeiro modelo era voltado inteiramente para a prática de basquete. Um ano após o lançamento, Chuck Taylor, um dos grandes difusores do basquete nos EUA, se encantou pelo calçado e decidiu oferecer ao dono da marca dicas de como melhorá-lo, devido às muitas reclamações de dores nos pés após os jogos. Desta forma, o calçado ganhou um reforço na região do tornozelo e maior flexibilidade, tornando-se parecido com o modelo atual.

Assim, Chuck Taylor tornou-se consultor da Converse e, em 1923, chegava às lojas a versão de maior sucesso: o All Star Chuck Taylor. O modelo tornou-se então o único utilizado pelos jogadores americanos de basquete, desde amadores até profissionais. Com o grande número de entusiastas pelos jogos da NBA, o All Star Chuck Taylor logo tornou-se o calçado mais vendido nos EUA – para o que contribuíam demais, sem dúvida, seu conforto, design, durabilidade e praticidade.

A grande popularização na sociedade americana se deu em 1956, quando James Dean, personificação da revolta e das angústias juvenis da década, foi flagrado usando um par de Chuck Taylor’s Converse. A marca e o modelo ganhavam assim uma conotação de rebeldia. Hollywood também se encantou e ajudou na divulgação, usando cada vez mais o produto em seus filmes. De lá para cá, o All Star marcou presença nos lugares mais variados – do cenário da música pop, com Madonna aparecendo com tênis idêntico ao que usara Dean, ao mundo do rap. Outro fato que fez com que a marca se popularizasse ainda mais foi a diversificação dos modelos lançados. Feitos especialmente para a prática de esportes como basquete, futebol, corrida e tênis, entre outros, fizeram com que a marca, e conseqüentemente, os calçados, passassem a ser utilizados por esportistas e outras celebridades. Assim, a Converse começou a colocar mais cores e testar outros materiais, como o couro, e lançou o modelo de cano baixo. A partir dos anos da década de 1980, a marca começou a investir em biomecânica, criando uma linha de tênis de alta-performance. O modelo em couro, chamado All Star 2000, vendeu mais de um milhão de pares.

Com essa longa tradição de símbolo cultural, o All Star passou a integrar também o guarda-roupa de adeptos do movimento punk rock, em 1977, com a primeira aparição do grupo Ramones usando o tênis. A imagem da banda estava tão ligada à do calçado que neste mesmo ano foi lançada uma edição limitada em homenagem ao grupo.

O tênis se tornou tão popular no mundo do rock'n'roll que o acompanhou durante várias gerações – no início dos anos 1990, Kurt Cobain, líder do Nirvana, o usava como calçado símbolo de seu estilo de vida. A adoração ao tênis era tanta que em 1994, quando foi encontrado morto após suicidar-se, Cobain usava seu par preferido, um Converse. Em 2000, quando os Strokes apareceram, revigorando o chamado “rock de garagem”, traziam nos pés o modelo mais tradicional da marca.

O All Star começou a ser produzido no Brasil na década de 1980. Mas os brasileiros tinham que se contentar com a versão nacional, que era produzida por dois empresários que não possuíam autorização da matriz. Por isso, ao invés de na estrela-logomarca aparecer a inscrição “Converse All Star”, aparecia “America’s nº1 All Star”. Em 2002, depois de uma longa batalha judicial, a Cooperativa de Calçados e Componentes Joanetense – Coopershoes recebeu credencial para produzir o legítimo calçado All Star no Brasil. Mas dois anos depois, após recorrer na justiça, a All Star brasileira voltou a produzir o calçado. A diferença entre os dois tênis é apenas notada pelos mais observadores, já que no produto nacional há a referência a Julius Sixers e, na verdadeira, a Chuck Taylor.

Em 2003, afundada em dívidas, a Converse foi comprada pela Nike por 305 milhões de dólares. Novos investimentos e roupagens foram feitas e hoje o All Star possui os mais variados modelos e estampas, do tradicional ao zebrado, agradando todos os públicos. Não é mais só um acessório de vestuário – é um estilo de vida.



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