Umberto Eco, filósofo, escritor e linguista italiano, ganhou destaque acadêmico por seus trabalhos sobre semiótica e estética medieval. Também escreveu a respeito de comunicação em massa, além de romances, como “O nome da rosa” estrelado por Sean Connery na versão cinematográfica.
Em Apocalípticos e Integrados, de 1967, Eco faz uma crítica a duas grandes teorias da comunicação. Uma delas, defendida pelos funcionalistas norteamericanos (denominados “integrados”), prega que “bom” é o que está em alta: a música da moda, o programa com maior audiência. Ou seja, a produção de material pré-condicionado pelos produtores da cultura de massa.
A outra vertente, a dos “apocalípticos”, mais radical quanto à produção em cultura é a Escola de Frankfurt. Para eles, a indústria cultural manipula os indivíduos, induzindo à compra de produtos e gostos por certas músicas. Os apocalípticos consideram o sucesso popular como um indício de baixa qualidade.
O autor critica os mass media pela apresentação da cultura como uma forma homogênea,utilizando fórmulas com resultados esperados, evitando a originalidade, entregando o produto e a emoção já prontos, considerando o receptor passivo.
Em defesa dos meios de comunicação, Eco argumenta que a cultura de massa não é um privilégio do sistema capitalista, mas pode nascer em qualquer sociedade do tipo industrial.,O processo de divulgação dentro da massa, é o responsável pelo processo de industrialização da arte, em uma sociedade sem acesso aos bens de cultura.
Até certo ponto, essas afirmações são válidas. Contudo, o problema são as mudanças controladas por grupos econômicos que visam apenas ao lucro e não a divulgação de uma cultura verdadeira.
Outro tema abordado pelo autor é o “mau gosto”, sobre como a sociedade sabe o que é “bom”, mas não consegue defini-lo racionalmente. Umberto Eco utiliza o termo kitsch para falar sobre isso. A palavra,, de origem alemã define algo inferior, um produto cultural com apelo exclusivamente emocional. Para o autor algo “é Kitsch não só porque estimula efeitos sentimentais, mas porque tende continuamente a sugerir a idéia de que, gozando desses efeitos, o leitor esteja aperfeiçoando uma experiência estética privilegiada” (pág 75).
Com todos esses destaques, é possível perceber aspectos positivos e negativos da indústria cultural. Ela difunde bens culturais antes inacessíveis à grande massa, tornando-os mais próximos ao difundindi-los. Porém, ao mesmo tempo, pode nos cegar e diminuir nossa percepção da cultura, uma espécie de efeito narcotizante que nos torna passivos.
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