Em exibição nos cinemas, o documentário Simonal: ninguém sabe o duro que dei, de Claudio Manoel, Clavito Leal e Micael Langer, apresenta o auge, na década de 1960, e o declínio da carreira e da vida do cantor Wilson Simonal, primeiro negro brasileiro a se popularizar cantando rock, não samba.
Na atração Show em Si... monal, durante dois anos, o cantor dividiu espaço na grade da rede Record com estrelas da música brasileira como Elis Regina e Jair Rodrigues. Carismático, utilizava o seu jogo de cintura para comandar e muitas vezes até reger o público nas apresentações. O humorista Chico Anysio conta que “Simonal tinha tanto domínio sobre o espectador que era capaz de sair do palco, deixando-os a cantar Meu limão, meu limoeiro, ir tomar um café e voltar para retomar o show”.
Esta capacidade de envolver a platéia fazia de Simonal adepto e defensor da malandragem e da pilantragem carioca. Para ele, “a pilantragem é o descompromisso com a inteligência”. O cantor queria aproveitar o sucesso e não era engajado politicamente.
Além de Chico Anysio, Simoninha e Max de Castro, os filhos do cantor, músicos que tocaram com Simonal, os cartunistas Jaguar e Ziraldo - membros da patota do jornal o Pasquim, que fez críticas severas ao cantor - também estão no documentário.
Entre as imagens de arquivo apresentadas no filme, há momentos imperdíveis como Pelé tentando imitar Simonal, cantando Meu limão, meu limoeiro no México em plena Copa de 70. As animações, bem pensadas, têm papel fundamental na obra, dando mais agilidade e envolvendo o espectador no clima dos anos 60 e 70.
Entre os depoimentos que tratam de tirar o documentário do estigma de obra de fã, estão alguns entrevistados de difícil localização, fundamentais para o aprofundamento da análise. Um deles, gravado em 2005, é do ex-contador de Simonal, Raphael Viviani, acusado de ter desviado dinheiro do artista.
Esse episódio causou o início do declínio da carreira do jovem cantor, com duas acusações: a de mandar dois integrantes do DOPS, Departamento de Ordem Política e Social, torturarem o contador, e a de ser delator para o regime militar, também abordada pelos diretores do documentário, sem receio de colocar o dedo na ferida.
Após abordar os 20 anos de ostracismo do cantor, o filme é finalizado com ares de bom humor, relembrando o carisma de Simonal, através da fala de seus filhos. Uma tentativa frustrada devido ao impacto dramático da história do cantor, que certa vez relatou a sua segunda esposa, Sandra Cerqueira: “Eu não existo na história da música popular brasileira”.
Além de prestar homenagem ao melhor cantor da MPB, segundo o produtor musical Luiz Carlos Miéle, Simonal: ninguém sabe o duro que dei deixa no ar uma reflexão: se haveria outros esquecidos na história oficial da nossa música deixados para trás, que impede os espectadores mais velhos de se entreguem ao saudosismo.
Comentários Postados
Bom dia, gosto muito das músicas do cantor wilson simonal, grande cantor do brasil e do mundo, uma grande injustiça fizeram com ele nos anos oitenta, lhe imputando coisas que ele não fez. Cabe a nós lhe botar no mais alto degrau da música popular brasileira. UM GRANDE ABRAÇO!
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