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15/01/2010 - 10h28 - Atualizado em 16/05/2012 - 13h39

A televisão como instrumento para a educação

Por Luísa Oliveira Cardoso, aluna do 4º ano de Rádio e Televisão


Reprodução

No livro Televisão e Escola, Heloísa Dupas Penteado propõe uma discussão sobre a televisão de dentro da escola, saindo do pressuposto que a televisão não busca educar.

A autora elabora uma Pedagogia de Comunicação unindo a escola com a linguagem televisiva. O livro é divido em cinco capítulos que discutem o conhecimento, a televisão, a escola, a relação entre elas e uma proposta de Pedagogia da Comunicação na escola. Por meio de um método dialético, o objeto é analisado segundo outros teóricos e são propostas novas saídas e visões, baseadas, principalmente, em pesquisas e análises de linguagens.

A televisão desloca traços culturais e valores tradicionais ao utilizar uma linguagem metafórica e desenhos. O potencial da televisão como fator de mudança no meio social parte da intimidade especial mantida com o telespectador, independente, de sua posição socioeconômica. Penteado a que “é preciso aprender a ler o texto televisivo” para sairmos da linguagem indicial, que apenas apresenta algo que o telespectador já conhece, para passarmos a usar a linguagem icônica para criar um processo de produção de conteúdo em conjunto com o telespectador.

Na escola, as preocupações são em relação à qualidade do ensino, sua disseminação e seu papel como instituição. Se ela consegue ser democrática e sua função de apenas ser detentora de conhecimento e nunca produtora.

A democracia do ensino é questionada posicionando lado a lado dois tipos antagônicos de alunos, um de uma classe privilegiada e outro, de uma menos. Mesmo que esses dois alunos tivessem um acesso democrático à informação na escola, um deles ainda estaria em desvantagem devido a seu status social.

A maior vantagem diante da escola, segundo a autora, é que o aluno vê a televisão como lazer e a escola como obrigação. Ele passa mais tempo assistindo à televisão do que estudando. Deste modo, a escola deve levar os processos televisivos em consideração, o que raramente acontece, mesmo com estudos demonstrando resultados positivos.

Ao levar a televisão para a sala de aula, as barreiras sociais entre os alunos diminuem, já que o acesso a ela é mais democrático. Nas pesquisas apresentadas, os resultados variam de uma melhor interação com alunos, antes passivos, até o pleno entendimento de linguagens de programas televisivos, como desenhos animados e noticiários, além de uma posição mais crítica em relação ao que se vê.


No final da obra, o apelo é para a modificação do sistema de ensino, partindo da renovação da instituição social, que é a escola, do papel do professor na sociedade, do caráter político da educação e da linguagem utilizada. Para, assim, a junção de linguagens, proposta por ela, possa trazer um efeito real na educação do país.



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