
Livro instigante, Música, Cérebro e Êxtase: como a música captura nossa imaginação, de Robert Jourdain, mostra detalhadamente a importância e necessidade da música no cotidiano. Estuda a música a fim de esclarecer seus mitos, verdades e sua evolução, desde a composição até o prazer em escutá-la.
Robert Jourdain, pianista profissional e compositor quis nos aproximar da música, desde o estudo da Antropologia até a história da. O autor faz perguntas como “se a música tem um significado, qual é?” ou “o que há nelaque nos deixa tão loucos?”, que são respondidas e nos levam a uma série de reflexões sobre o cotidiano em relação à música.
O livro traz uma série de estudos sobre os efeitos e as características da música. Em temas, como fantasia e memória musical, as habilidades musicais de Mozart e seu sentimento em relação à música. Os compositores são pensadores, que, ao invés de manipular “palavras”, manipulam os sons. E, a partir da memória musical, é possível criar composições completas em nossa cabeça.
O cérebro é o principal instrumento para o funcionamento da “oficina” do compositor e pela possibilidade de lembrar sons, usar imagens auditivas e praticar boas composições. A inspiração do músico também é muito importante, “não pode ser determinada pela vontade, simplesmente acontece”. As idéias vêm soltas como fragmentos e, depois, são fundidas.
Em um processo de composição, as idéias são baseadas, primeiramente, no cérebro para, somente depois de pronta, escrevê-la e tocá-la. Assim, os compositores precisam trabalhar com idéias reduzidas, seguindo um único padrão para se formar uma idéia concisa de trabalho.
A neurologia musical pode se manifestar com uma tortura ao som em estudos sobre os cérebros de compositores Assim, como a personalidade deles mostra uma grande independência em relação a tudo e a todos, percebe-se que eles, também, são emotivos, reservados e dão grande importância à estrutura musical na hora da composição.
Entre os grandes sábios musicais, podemos destacar Tom Cego, que tinha graves lesões cerebrais, porém tinha um dom único para a música a ponto de saber tocar peças somente ouvindo-as.
Os sistemas sensoriais são colocados em ação quando fazemos um simples movimento. Por meio da ação do córtex motor, temos habilidades musicais tais como a capacidade de combinar, para um possível armazenamento e geração de composições.
Há uma grande diferença em ouvir música, agir passivamente, e escutar música, agir ativamente. Assim, a memória é essencial para percebermos a música, já que, enquanto escutamos música, estamos atentos na maioria das vezes as suas características gerais. As pessoas reagem à música de formas semelhantes, ou elas gostam ou elas não gostam, porém, cada um tem um jeito próprio de ouvir e interpretar a música. O gosto musical é algo muito complexo, somos atraídos por determinado tipo de música por vários motivos. Primeiramente, o gosto se forma pelo papel que determinada música desempenha na vida de cada pessoa, depois, pela sua qualidade e, finalmente, pelo seu significado, pelo que ela nos conta ou expressa.
A maioria das pessoas adquire um determinado gosto musical em sua adolescência e, às vezes, o estabiliza até morrer. É importante lembrar que cada geração vive uma época diferente, sendo que esta influencia diretamente em seus gostos.
É importante compreender a música. “A música imita a experiência, em vez de simbolizá-la, como faz a linguagem. Ela reproduz cuidadosamente padrões temporais dos sentimentos interiores.”. Deste modo, a música traduz e reproduz os sentimentos mais íntimos, as idéias e os sonhos.
Jourdain consegue nos passar toda magia e poder da música com histórias, pesquisas, fatos e argumentos. Ele revela um pouco de nós mesmos e muda a percepção e o modo de escutar a música, além de explorar aspectos intrigantes e inéditos na história da música. Mostra a importância da música em nossas vidas, não meramente como algo para o lazer diário, mas sim, como um fenômeno universal.
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