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15/01/2010 - 10h02 - Atualizado em 20/05/2013 - 23h07

A arte que toca pelo estômago

Por Kauanna Navarro, aluna do 2º ano de Jornalismo


Kauanna Navarro
O artista Rodolpho Parigi

O artista plástico Rodolpho Parigi, de 31 anos, é considerado por muitos críticos um dos expoentes da arte contemporânea. “Concrete Blonde”, a sua última exposição - a primeira individual – ficou em cartaz na galeria Nara Roesler entre fevereiro e março deste ano. Agora, Parigi prepara-se para voos maiores: vai fazer residência artística em Paris, na França.

Ao falar sobre o processo criativo, o artista paulistano diz que não segue fórmulas ou regras rígidas, atitude válida tanto na arte como na vida. Esta ausência de limites se reflete diretamente em suas pinturas. É difícil classificá-las como figurativistas ou abstracionistas em meio a uma explosão de cores, formas e técnicas. Uma série é bem diferente da outra; para ele, cada momento é único: “meu trabalho é um autorretrato daquele instante que não se repete mais”.

Rodolpho Parigi tem uma forma peculiar de descrever a própria arte: “Ela [a arte] me toca pelo estômago. É a sensação que tenho quando olho algo e isto me causa mal-estar, amor, ódio, distanciamento”. Essa maneira inusitada de ver a produção artística também é refletida na escolha das cores. Ele utiliza pigmentos fortes e marcantes, mas o seu preferido é, sem dúvida, o rosa choque: “O meu trabalho fala sobre o mundo contemporâneo, coisas híbridas e antagônicas, feminino e masculino, e o pink traduz isso. É uma cor que está desde o imaginário gay até no quarto de um bebê”, afirma.

A fuga do convencional continua nas referências adotadas pelo artista. De acordo com o crítico Fabio Cypriano, Parigi se comporta como uma espécie de DJ visual, em um processo de apropriação e reconstrução. Cypriano utiliza o conceito de “pós-produção” do pensador francês Nicolas Bourriaud para fundamentar este pensamento.

Parigi tem como inspiração desde artistas como Hieronymus Bosch, do século XVI, até contemporâneos como Beatriz Milhazes. Artista completo, o pintor se inspira também em obras cinéticas como as de Jesús-Rafael Soto, cinema e, principalmente, rock’n’roll. As bandas Metallica e White Stripes, de sonoridade completamente diferentes entre si, são algumas das favoritas do pintor. “Me alimento de vida, de som, de comida. As referências são infinitas”, reforça. Mas ele confessa que a música é a paixão primeira: “é como se eu tentasse transformar determinado som em uma imagem”.

“A arte é uma missão para comigo e para com o mundo, não é só um fazer”, afirma o artista. A da arte deve levar em conta esta função social, mas lembra: “não é porque ela é responsável que ela tem que ser didática ou séria”.

Em contínuo aprendizado, Parigi embarca para Paris em agosto deste ano para fazer sua residência artística na Cité des Arts, localizado às margens do rio Sena,  local que abriga artistas de 87 países, os escolhidos para fazerem parte da cidade têm a sua disposição 270 ateliês e uma grande estrutura para aprimorar potenciais artísticos.  “Eu estou um pouco doente de São Paulo, contaminado com esta violência urbana; em Paris as coisas acontecem em outra velocidade”, comenta o artista.

O retorno ao Brasil está previsto para janeiro de 2010. Na bagagem, ele espera trazer mais repertório, técnicas e sensações para transcodificar em suas pinturas.