Primeira obra de Paulo Coelho adaptada para o cinema, “Veronika Decide Morrer”, da diretora Emily Young, está em exibição nos cinemas e fala sobre vida, morte, amor e loucura.
Como toda adaptação, a história das telas do cinema difere bastante da obra escrita. Enquanto no livro a trama se passa na Eslovênia, no filme há apenas uma menção quanto à ascendência eslovaca da personagem Veronika. Na realidade, percebemos mais diferenças do que semelhanças. Portanto, não vá ao cinema pretendendo assistir a um longa fiel à obra do autor.
Sarah Michelle Gellar é a protagonista. Uma mulher que tem uma vida confortável, um bom emprego e um apartamento cômodo, entretanto, ela sente falta de algo. As pessoas à volta de Veronika lhe parecem anormais, assim como seu futuro, do qual ela já tem um panorama pessimista formado logo no início do longa. Ao concluir que não passaria de mais uma mulher divorciada e com filhos distantes, decide tomar uma série de comprimidos acompanhados de um copo de uísque.
Veronika não morre, ela é resgatada e acorda em uma clínica psiquiátrica particular, desacreditada que sua tentativa foi falha. No entanto, recebe uma notícia frustrante: seu coração sofrera ferimentos dificilmente curáveis e a qualquer momento poderia parar de funcionar. A partir daí ela começa, com a ajuda do Dr. Blake, interpretado pelo inglês David Thewlis (o mesmo de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” e “O Menino do Pijama Listrado”), a descobrir alguns prazeres de estar viva e amar.
Apesar de ser a personagem central, não é Sarah Michelle Gellar quem mais chama a atenção. Quieto praticamente o filme todo, Edward, interpretado pelo jovem e desconhecido Jonathan Tucker, é de uma expressão tão sombria e ao mesmo tempo piedosa, que as palavras não lhe são necessárias para expor os sentimentos. Seu carisma é tanto que por alguns momentos pode-se esquecer sobre quem realmente se trata o longa. É ele quem dita o ritmo dos acontecimentos, é em volta dele que a trama se desenvolve.
“Veronika Decide Morrer” traz a história de Paulo Coelho com as nuances de uma adaptação que foge à risca da história original, mas é capaz de surpreender os leitores espectadores.
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