João Paulo de Andrade administra Whiplash!, portal especializado em heavy metal

Maranhense de São Luís, o administrador João Paulo Cavalcanti Holanda Andrade criou o portal musical, Whiplash!*, o maior especializado em heavy metal do Brasil e sustenta o espaço com ajuda de colaboradores, que contribuem quase 100% gratuitamente.
Desde 1996, o site se destaca por ser uma das maiores fontes de informação em português sobre rock e heavy metal. Em entrevista, ele fala sobre o desafio do mercado da web e da formação de jornalistas e colunistas.
João, você teve a ideia sozinho de criar a Whiplash!?
Fiz sozinho em 1996. Usava a BBS (Bulletin Board System), que era o cyberspace da época, com conexão discada por telefone, que havia antes de internet. Ao contrário da web, nos primórdios, em que apenas os profissionais escreviam e criavam sites, as BBS eram estritamente colaborativas. Então, tive a idéia de criar um site com comunidades, porque achava a internet da época um bocado chata e "mão-única".
O site mudou muito do que era no começo? Você imaginava que conseguiria seguir em frente?
Mudou muito, claro. No início, era um único arquivo com a tradução de um FAQ (Frequently Asked Questions, perguntas frequentes) da banda Iron Maiden. A comunidade foi aumentando e aumentando. Hoje são quase 90 mil matérias. Mas mudou aos poucos.
Foi tudo bem gradual, muito devagar. Por isso, imaginava que iria para frente, mas não como uma empresa de verdade e sim como um hobby. Conseguir viver do site aconteceu mais por força das necessidades do que por escolha. Ou o Whiplash! se profissionalizava ou acabava, porque ele exige tempo demais.
O site é referência de heavy metal e rock no Brasil. Você acredita que ele é uma oportunidade para revelar jornalistas e músicos na área?
Sem dúvida nenhuma. Alguns dos melhores redatores profissionais presentes nos sites de música e mesmo revistas passaram pelo Whip!. O editor da Roadie Crew, Thiago Sarkis, que saiu há pouco tempo, era do nosso site. Ele é apenas um exemplo entre muitos. Acho, ainda, que os melhores redatores de rock com menos de 25 anos no Brasil, quase sem exceção, passaram pelo Whip!. É uma grande escola para todos e uma honra também.
Os patrocínios e os incentivos ao site estão aumentando?
Os anunciantes variam mensalmente. Às vezes, são poucos, outras vezes, muitos. Na verdade, vive com o risco de fechar. Existem épocas de muita grana, que ajudam a guardar dinheiro para as épocas de pouca grana, variando com a taxação do dólar. Enfim, está dando para levar bem apesar de não ser de forma linear. Para mim, basta ter pé-no-chão para viver na média adquirida, não com a grana do mês.
Desde quando a Whiplash! traduz conteúdo norte-americano, como a Guitar Player americana, entre outras revistas?
Impossível precisar quando começamos com traduções. Aconteceu naturalmente, como as matérias autorais que há no site.
O site pretende ampliar para outras mídias on-line? Podcast? Videocast?
Se acontecer, vai ser sem planejamento, já que é algo imprevisível. Mas uma rádio on-line é projeto de longa data e, talvez, seja o que vai ocorrer primeiro. A ideia é se concentrar no público da internet e com conteúdo simples. É a metodologia do KISS: keep it simple, stupid. Hoje, a maior parte dos leitores está on-line. Ainda tem bastante a melhorar no portal, apesar dos 5,6 milhões de visitas por mês.
*http://whiplash.net
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