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13/01/2010 - 12h20 - Atualizado em 17/05/2012 - 08h49

Como é feita a seleção dos filmes exibidos no Reserva Cultural

Por Fernanda de Araújo Patrocínio, aluna do 2º ano de Jornalismo*


Isabella Villalba
É Laure Bacqué quem seleciona
os filmes do Reserva

Alta, magra, veste blusa e calças pretas. Dirigindo-se ao lounge do Reserva Cultural, Laure Bacqué, de 34 anos, senta, coloca o maço de cigarros em cima da mesa e esboça um largo sorriso. Essa francesa é sócia, diretora e programadora do cinema localizado no primeiro piso do prédio da TV Gazeta.

Gesticulando muito e com forte sotaque francês, Laure conta com brilho nos olhos que o Reserva é referência para a capital paulista. “Já ganhamos o prêmio de ‘melhor programação de SP’ pela Folha de S.Paulo e ‘melhor ambiente’ pelo Estadão”, conta orgulhosa. As quatro salas do pequeno cinema costumam exibir filmes fora do circuito comercial, da Alemanha, França e Argentina, por exemplo.

Laure enfatiza que há três grandes critérios para selecionar o material a ser exibido no Reserva: qualidade, satisfação do público e exclusividade. A diretora afirma que “não importa se o filme é americano, chinês ou mesmo uma grande produção”, é preciso ter qualidade artística e conteúdo. Para enfatizar, ela cita o drama francês Há tanto tempo que te amo, que esteve em cartaz recentemente. “Este filme nos faz pensar e refletir no término da sessão”.

Para satisfazer o público, a proprietária compra alguns títulos em festivais de cinema e afirma que muitos distribuidores a procuraram para exibir os filmes – desde os grandes como a Warner e a Fox até os independentes como a Art Films.

Para saber se um filme vai entrar ou não em cartaz, Laure afirma que há uma agenda estabelecida e que ela mesma assiste aos filmes sozinha, aos domingos pela manhã. Ela esclarece que a seleção é feita mesclando seu gosto pessoal e profissional, mas, sobretudo, pensando no público do Reserva.

Mas nem sempre as agendas estabelecidas são cumpridas.  Por exemplo, a película norte-americana Amantes estava prevista para estrear no último dia 21 de agosto, mas por problemas na alfândega, o negativo  só foi liberado posteriormente. Resultado: o drama com Joaquin Phoenix estreou com uma semana de atraso e outro filme foi encaixado no lugar ocioso. Estes momentos de falha abrem espaço para distribuidores menores. “Não há como negar um filme de Woody Allen, por exemplo, e ceder lugar a um menor; é certeza de sucesso”, explica Laure.

A programadora explica que nem sempre o bom filme é rentável. “Se nada mais der certo é muito bom, mas não fez público”, lamenta Laure. Para ela um bom filme costuma atrair cerca de 1000 espectadores por semana em uma única sala. O filme brasileiro de José Eduardo Belmonte trouxe somente 300 pessoas ao Reserva em uma semana de exibição.

Os filmes de grandes produtoras ficam em média três semanas em cartaz, enquanto de uma pequena fica uma. O motivo é a concorrência do mercado cinematográfico. Alguns filmes ficam mais de seis meses, se a procura for grande, como no caso de Os infiltrados de Martin Scorsese. “Quando abrimos, o público simpatizou muito por um filme chamado Conversando com mamãe”, ilustra Laure, fazendo referência à comédia argentina de um distribuidor pequeno.

Ela explica ainda que antes de abrir aquelas quatro salas para exibição de filmes há 8 anos foi feita uma pesquisa sobre os gostos do público da região. No levantamento foi constatado que 72% dos possíveis freqüentadores não queriam pipoca naquele cinema – guloseima não vendida por lá. “Não há OVNIs nem efeitos especiais aqui; são filmes para se fazer pensar”, brinca Laure. Ela ainda complementa dizendo que é possível, sim, comer dentro das salas. Para tanto há instalado no lugar um bar e um café.

O ambiente calmo e com charme dos cafés franceses reúne pessoas a fim de conversar petiscando, ler um livro, tomar um café. Para atrair o público, diferentes estratégias de marketing são feitas. No domingo pela manhã há o Cineclub – uma parceria entre Fnac, Aliança Francesa e Reserva Cultural. No evento é possível tomar café da manhã e assistir a um filme por R$5,00. Aos mais assíduos é possível ganhar um ingresso após assistir a 10 sessões.

Laure assume que conheceu mais do cinema brasileiro depois que se mudou para o Brasil há oito anos acompanhando o marido. “Quando morava em Paris, só conhecia Central do Brasil”. Para ela 2007 e 2008 foram os melhores anos para o cinema nacional. “2009 está sendo um desastre”, desabafa a programadora, referindo-se ao número de pagantes. “À Deriva, por exemplo, não fez público”. A proprietária compara o cinema brasileiro e o francês, destacando que este é mais organizado e tem muita ajuda do Governo.

O Reserva cede lugar para a exibição dos filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que se realiza anualmente no final de outubro. Em junho, aconteceu o Panorama do Ciname Francês. Entre os dias 28 de agosto e 03 de setembro haverá o II Festival de Cinema Chileno. Vale lembrar que estudantes pagam meia-entrada e alunos da Cásper Líbero têm desconto especial.


 *Com colaboração de Isabella Villalba, Editora do Site
 



Comentários Comentários Postados
olga futada[01/12/2011 - 01:03]

Gostei de conhecer a selecionadora pois quase todos os filmes por ela escolhidos recebem o meu apoio. E é lógico que as vezes tenho discordancias inexplicáveis, por exemplo, não vejo a menor graça em Medianeras. Mas, deixa pra lá.... Queria saber se há algum lugar onde eu encontre listados todos os filmes que passaram em 2011. Obrigada.

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