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12/01/2010 - 10h36 - Atualizado em 16/05/2012 - 14h17

O Salve Geral! de Sérgio Rezende

Por Jhennifer Moises dos Santos, aluna do 2° ano de Jornalismo

Causas Diferentes, Armas Iguais

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Reprodução
Cartaz do filme pré-indicado
ao Oscar

No novo filme de Sergio Rezende, Salve Geral!, não há maniqueísmo, nem existe moçinho e bandido. Todos jogam o mesmo jogo, burlam as leis para conseguir o que querem. E o fazem de maneira implacável.

A experiente Andréa Beltrão convence no papel de Lúcia, uma mãe desesperada, sem usar o melodrama e sem exceder nas cenas mais dramáticas. E o iniciante Lee Thalor vive o papel do filho, Rafael, e não fica inseguro diante da atriz veterana .

O roteiro é bem construído e as cenas são bem produzidas. Mas, não traz nada de novo para o tema: conflitos entre policiais e bandidos.

Quando tenho medo, fecho os olhos,é uma das falas de Lúcia. Ela diz não enfrentar situações perigosas com tanta coragem e ironiza o fato de não saber como é andar de trem fantasma. Mal sabe, ainda, que embarcaria em uma jornada pelo submundo para tirar seu filho Rafael da prisão.

Depois da morte do marido, fica sem dinheiro e começa a dar aulas de piano. O dinheiro que ganha não é suficiente para pagar as contas. Como solução, muda-se com o filho para um bairro da periferia. O rapaz se envolve em um homicídio ao sair com um amigo em uma noite da cidade São Paulo e é preso.

Para tentar ajudar o filho, sem dinheiro para pagar advogado, conhece Ruiva, uma mulher ligada ao PCC, o Primeiro Comando da Capital, conhecedora dos códigos da prisão e envolvida em um esquema sujo, mas que está disposta a ajudá-la, caso Lúcia faça favores de levar recados e encomendas para os presidiários.

Lúcia acaba aceitando o acordo e se envolve com a facção criminosa a fim de resgatar o filho e chega a viver, até mesmo, um breve e intenso romance com um dos líderes do PCC, conhecido como Professor.

O filme mistura cenas da ficção com imagens reais dos ataques ocorridos em maio de 2006. O motivo foi a transferência dos líderes para prisões de segurança máxima.

Além de falar sobre até que ponto uma mãe pode chegar para salvar o filho, critica o esquema de corrupção que inclui policias e criminosos, as regras da cadeia, as más condições das celas superlotadas, e, principalemente, como o PCC ou  Partido, como é chamado no filme, com um discurso exigindo do governo condições dignas e melhorias para as classes menos desfavorecidas, ditava regras dentro e fora dos presídios com o lema Paz, Justiça e Liberdade. Aborda, também, o despreparo da polícia e a lentidão e os podres do sistema carcerário e judiciário brasileiro.

No meio de toda a confusão, está o filho de Lúcia, Rafael, que divide as celas com os maiores criminosos da cidade e, sem conseguir evitar, acaba participando das ações criminosas executadas pelos presos que conseguiram o indulto para sair no dia das mães.

Salve Geral! é pré-indicado a uma vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2010 e concorre com países como África do Sul, Alemanha, Canadá e Islândia.



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