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12/01/2010 - 13h54 - Atualizado em 16/05/2012 - 01h25

O novo álbum do Arctic Monkeys reafirma o potencial do grupo no cenário do rock moderno

Por Danilo Braga, aluno do 2° ano de Jornalismo


Reprodução
Experimentar novos elementos
sem adicionar nada eletrônico

Humbug é o terceiro álbum do grupo britânico Arctic Monkeys, lançado no final do mês de agosto. A banda ganhou notoriedade quando as primeiras canções gravadas foram disponibilizadas por fãs na internet em 2003. Com este lançamento de 2009, os garotos mostram que ainda têm energia para não ser somente mais uma banda famosa na rede.
A produção do disco ficou por conta de Josh Homme, vocalista e guitarrista do conjunto norte-americano Queens of the Stone Age. Esperava-se um trabalho desligado dos álbuns anteriores, já que o penúltimo foi produzido pelo inglês James Ford do Simian Mobile Disco.

Assim como aconteceu com o trabalho anterior, Favourite Worst Nightmare, algumas canções começaram a aparecer mais cedo na web e uma versão de má qualidade de Humbug surgiu em julho. Coincidências à parte, o terceiro CD é diferente do segundo: ainda mais maduro e mais inteligente.

Na superfície, podemos notar a mudança nos vocais do líder Alex Turner, com a voz aperfeiçoada e explorando timbres calculados e sóbrios. Dificilmente um ouvinte perceberia a semelhança com o trabalho de 2006, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, em que se ouvia um cantor afobado aos gritos na frente do microfone.

My Propeller abre o álbum e apresenta ao público o tom sério que tomará conta dos fones de ouvido nas próximas dez faixas. Com uma cordialidade subjetiva, as letras falam sobre a dependência sinérgica de alguém que está longe, sugerindo a dificuldade de uma vida solitária.

A faixa seguinte, Crying Lighting, é o primeiro single, lançado uma semana antes do álbum. É uma das faixas favoritas do público com uma abordagem intimista, tomada pela banda pela primeira vez. Já Dangerous Animals é uma das faixas mais animadas do disco. Ela deixa clara a integração entre cada instrumento e não uma série de elementos sobrepostos.

Em Secret Door, as guitarras distorcidas por pedais e mesas de som na pós-produção criam uma atmosfera envolvente, e ao mesmo tempo triste. Um back vocal discreto afirma certa melancolia, quebrada pela canção seguinte. Potion Approaching, anteriormente chamada de Would you like me to build you a go-kart? é a mais fraca do álbum, pobre e repetitiva. Os recursos de pausa e mudança brusca de estilo em determinados instantes não são novidades para a banda.

Fire and the Thud é a faixa mais doce e serena do disco, com uma letra simples, mas bem construída De melodia suave, se encaixa perfeitamente ao poema, que arranca suspiros dos ouvintes mais sensíveis (“Depois do dia em que você roubou meu coração / Tudo que eu toco me diz que seria muito melhor compartilhado com você”). Ela foi executada diversas vezes pelo grupo em versão acústica bela e singular, perde força na versão elétrica.

Cornerstone
também mantém a doçura, mas abrigando todos os instrumentos de uma forma criativa. A canção sabe retratar uma obsessão e é construída como se fosse um cenário da história.

Dance Little Liar recupera a pegada intimista e triste. Quase tão envolvente quanto Crying Lighting, relembra canções do álbum anterior. Os instrumentos todos se juntam em uma composição freneticamente barulhenta e harmônica, sem tirar o brilho seco e sóbrio do vocal. Um solo de guitarra toma conta, e instantes depois outra explosão rítmica, um brilhante multi-instrumental sem vocal. Sozinha, a bateria fecha a música, reduzindo o volume ao infinito. Esse final evidencia não só um trabalho genial de todos os músicos, como também da equipe de mixagem.

Pretty Visitors é nostálgico, rápida e intensa. Tem a velocidade quebrada pelas guitarras e vocal, que sustentam a melodia. Alex Turner está mais solto e mais à vontade para recuperar uma pitada de euforia dos trabalhos anteriores. A banda relembra o swing e o entrosamento que tinha no início da carreira.

Em The Jeweller’s Hands, o ritmo é misterioso e animado, os efeitos bem equilibrados e harmônicos. Há a típica mudança brusca de estilo no final, com um recuo sonoro extremamente bem trabalhado. Praticamente uma síntese do novo álbum e de toda a carreira do Arctic Monkeys.

Com Humbug, a banda mostrou interesse em experimentar novos elementos, sem adicionar elementos eletrônicos ou instrumentos aleatórios, como no disco anterior. A aceitação foi boa, principalmente para os saudosistas que esperavam uma “traição” do grupo em termos de estilo e de qualidade nas faixas. O único estranhamento foi o novo corte de cabelo dos integrantes do grupo, que aparentemente se desprenderam dos valores estéticos louvados por seu público.



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