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12/01/2010 - 10h05 - Atualizado em 17/05/2012 - 13h19

Miguel Del Giudice é pontual há 56 anos

Por Isabella Villalba, Editora do site


Reprodução
"Consertar é uma virtude
que nasceu comigo"

Miguel Del Giudice tem 75 anos e é relojoeiro oficial há 56. Aos 13, começou a trabalhar como boy, o ‘faz tudo’, da Casa Oinegue, onde aprendeu os primeiros passos da profissão que segue até hoje.

“Lá tinha mais ou menos quatorze relojoeiros e eu fazia muitas perguntas. Depois, quando fui para a Empresa Brasileira de Relógios, aprendi o ofício somente com relojoeiros suíços”, conta orgulhoso.

Formado pelo Centro Relojoeiro Suíço em 1969, Giudice é o único técnico no Brasil que conserta todos os tipos de relógios: de bolso e pulso, de parede e pedestal, cronógrafos, cucos e carrilhões, antigos e novos, de todas as marcas.

Em 1964, abriu seu próprio negócio na rua Campos Sales e desde 1974 está na rua Piratininga, nº 660, no Brás. A sede e a oficina da Giudice Relojoeiros ficam num sobrado bem estreito. A porta de entrada dá para uma escada que leva a uma sala um pouco escura, repleta de relógios, grande parte deles desligada, esperando o reparo. O silêncio dizia que eu era a primeira pessoa a aparecer naquele dia.

Talvez porque o público deste serviço seja cada vez mais restrito, já que “hoje a maioria dos relógios vendida é cada vez mais descartável e em muitos casos não compensa levar para o conserto”, de acordo com Giudice. Se um relógio de camelô custa R$15,00 e o reparo também, é mais prático comprar um novo. “As pessoas trazem mais relógios de parentes - avós, pais, e bisavós. Elas querem recuperá-los, pois eles trazem uma lembrança”, explica.

O prazer de ter a recordação funcionando em bom estado faz clientes de várias cidades de São Paulo, e até mesmo de outros estados, como Pernambuco, enviarem suas peças ao relojoeiro.

Desde o início, sua forma de trabalhar mudou muito. Os primeiros relógios que manuseou tinham cilindros dentro do mecanismo de funcionamento. Depois outras peças surgiram, as âncoras, que trouxeram mais correção para medir o tempo. E, hoje em dia, a tecnologia utilizada é a quartz, ainda mais precisa que as anteriores.

Quando criança, desmontava e remontava despertadores em casa. A mania foi passada para o filho, José Roberto Del Giudice, de 52 anos, que seguiu a mesma profissão. “Quando ele tinha oito anos, eu entregava os relógios para ele ficar quietinho, mas ele acabou gostando”, comenta dando boas risadas ao seu lado.

Ao observar o local de trabalho dos Giudice, percebem-se duas estantes com centenas de gavetas pequeninas. Dentro delas há materiais antigos estocados por Giudice pai. “Muitas casas que os fabricavam não existem mais. Como sou muito antigo no ramo, tenho muita coisa guardada para usar quando preciso”.

Além das peças, o relojoeiro mantém em arquivo fichas com o nome do cliente, o código, o tipo e o ano de conserto das peças. Confessa até brincar com as pessoas que retornam à oficina. Deixa marcadas suas iniciais, MG, e um código numérico atrás de cada relógio. Quando percebe já tê-lo consertado anos antes através deste registro, lê a ficha guardada e chama o cliente pelo nome, que fica abismado com a sua boa memória.

Para ele, mais que organização, um bom relojoeiro deve ter todo o conhecimento técnico e ser honesto e preciso, muito preciso. Trabalhar com peças que regulam o tempo só fez Giudice ser extremamente pontual. Nunca me atraso, afirma sem hesitar.

Apegado aos relógios que possui em casa, confidencia não emprestá-los por nada, nem para exposições. Outra confissão: tem vontade de consertar o relógio da estação da Luz, mas, infelizmente, a oportunidade ainda não surgiu, pois já existe uma empresa que realiza esta função há anos.

O movimento de público na relojoaria é variável. Segundo Giudice, tem dias que aparecem sete ou oito relógios para serem reparados. Em outros não aparece nenhum. O preço do serviço pode variar entre R$15,00 e R$1.000,00, dependendo da qualidade e do tipo de serviço desejado.

Giudice trabalha oito horas por dia e já é aposentado, mas não pensa em parar de consertar relógios jamais. Comenta com os olhos brilhando: “sou apaixonado. Se tenho um reloginho velho, todo desgastado, e consigo consertá-lo, eu até choro de ver. Consertar é uma virtude que nasceu comigo”.



Comentários Comentários Postados
Lucy de A.Bueno de Azevedo[01/12/2010 - 10:00]

Tenho um relogio suiço pequeno de parede, depois de 20 anos agora parou de funcionar, pois eu adoro esse meu relogio, gostaria de mandar consertar mais com uma pessoa seria, pois já levei em alguns lugares e eles não tem peça p/reparo. Gostaria de ter o endereço ou se alguem viesse buscar em minha res. moro no bairro Ipiranga-SP. Obrigado

Wilson Reis dos Santos[15/03/2011 - 22:13]

Foi com muita emoção que li esta matéria, tambem cursei no centro Suisso de relojoaria da Escola Roberto Simonsen do Braz o Curso de especialização de Relojoeiro,em 1971, e trabalhei com o Sr. Jose Baptista Araujo, que chefiou por muito tempo as oficinas da relojoaria Oineg, hoje estou no sul de Minas onde tenho meu proprio negocio.Abraço. www.pontualparaiso.com.br

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