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12/01/2010 - 10h19 - Atualizado em 15/05/2012 - 20h37

Malandros, mendigos e apenas três vinténs

Por Felipe de Paula, aluno do 1º ano de Jornalismo

Óperas do Malandro, dos Três Vinténs e dos Mendigos

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Reprodução
Uma contradição ao comparar
uma ópera com malandros

A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, a Ópera dos Três Vinténs, de Bertold Brecht e a Ópera dos Mendigos, de John Gay, estão interligadas, tanto na estrutura da peça quanto na formação/caracterização de personagens e na essência das histórias e dos títulos. Estes, inclusive, são um primeiro atrativo pela contradição ao comparar uma ópera com malandros, mendigos e três vinténs.

Com a música do alemão Johann Pepusch, a Ópera dos Mendigos se passa na Londres do século XVIII e, ao contrário das outras, não faz uma nítida referência ou crítica aos crimes que de fato aconteciam na cidade.

No entanto, há quem diga o contrário e defenda a ideia de que John Gay também pretendia criticar a política da época, como diz o cientista social e dramaturgo Edvard Vasconcellos: “Gay escreveu uma sátira ao submundo a qual era mais que aplicável à corrupta administração do primeiro ministro da Inglaterra, Robert Walpole”. O principal indício deste ataque ao primeiro ministro se dá numa indagação do personagem Lockit a Filch sobre o paradeiro de Machealth, que se encontra em um armazém de produtos roubados. Este último é chamado de “grande homem”, o que pode ser confundido com a posição de Walpole na época.

No início da peça, um ator e um mendigo conversam como se estivessem acertando os últimos detalhes da apresentação. Em tom polêmico, são encenados roubos, denúncias e sentenças de personagens.

O momento mais marcante da Ópera dos Mendigos é a passeata ao fim do espetáculo na qual acontecem as considerações de cada personagem a respeito dos dramas da peça.

Essa ópera foi traduzida pela alemã Elisabeth Hauptmann, o que inspirou Bertold Brecth a escrever sua própria ópera, a Ópera dos Três Vinténs com a ajuda de Kurt Weill, que montou a trilha sonora. Embora fosse uma adaptação da obra de John Gay, a Ópera dos Três Vinténs gerou maior repercursão no cenário mundial.

Contudo, na véspera da estreia da ópera, em 31 de agosto de 1928 na cidade de Berlim, nem a ópera, nem a música estavam prontas, de forma que todos apostavam no seu fracasso. Como se não bastasse, o nome da obra foi decidido poucos minutos antes de abrir a cortina e o texto definitivo só ficou pronto em 1931. Apesar disso, o sucesso foi estrondoso, tanto na Alemanha como no exterior, até 1933, quando os nazistas tiraram a peça de cartaz.

Brecht era formado em Medicina e atuou como enfermeiro durante a 1ª Guerra Mundial. O trauma de guerra e das consequências que esta gera na população pode ter sido um dos grandes fatores que influenciaram Brecht a, no final dos anos 1920, se tornar um marxista.
O autor explorava o teatro como um fórum de discussões das complicadas relações humanas dentro do sistema capitalista, criando sua versão de um drama épico, na perspectiva de uma estética de Marx.

A obra se passa no século XX, em Soho, um distrito da mesma Londres. Seus personagens ganham nomes novos, os quais vão servir de base para praticamente  todos os nomes da obra de Chico Buarque.

O personagem masculino principal é Macheath, um ladrão elegante, cercado de mendigos ladrões, prostitutas e vigaristas, que explora prostitutas e realiza assaltos. Conhecido popularmente como Mac the Knife ou Mac Navalha, é mulherengo e bígamo, já que é casado com Lucy, filha de Tiger Brown, chefe de polícia, mas casa secretamente, num estábulo, com Polly, filha do seu maior inimigo, Peachum, dono da casa de negócios O Amigo do Mendigo.

Peachum não aprova o casamento da filha com Mac e planeja a prisão do genro pedindo sua condenação à forca. Porém Tiger Brown, seu companheiro de exército, faz de tudo para evitar a prisão. Ele recebe propinas para fechar os olhos para infrações às leis cometidas por Mac.

A trama termina também com uma passeata, de maneira semelhante à ópera de John Gay. As críticas de Bertold Brecht vão muito além dos palcos de teatros, o poeta também não pensava duas vezes para soltar ataques a corruptos e pessoas omissas.

A repercussão de Brecht foi imensa e sua obra rodou o mundo arrancando aplausos das plateias. No Brasil não foi diferente e, há exatamente 30 anos, Chico Buarque lançou a trilha sonora de sua adaptação da peça, a famosa Ópera do Malandro com canções que marcaram sua carreira musical, como Geni e o Zepelim, O Meu Amor, O Malandro e Homenagem ao Malandro.

Os personagens e a história de Chico são semelhantes à de Brecht e também sofreu com a censura. Ela se passa na Lapa, bairro do Rio de Janeiro, nos anos 1940, década que a cidade era capital do Brasil no governo de Getúlio Vargas.

A estreia quase foi antecipada, as músicas sofreram cortes e/ou obrigaram os intérpretes a realizarem uma nova gravação menos ofensiva. Dentre os intérpretes estão: Alcione, Elba Ramalho, Frenéticas, João Nogueira, Marieta Severo, Marlene, Moreira da Silva, MPB-4, Nara Leão e Zizi Possi. As críticas feitas são à ditadura de Vargas o que, indiretamente, ataca o orgulho dos militares, que comandavam o Brasil no ano em que a peça foi lançada.



Comentários Comentários Postados
Honorio Ferreira Neto[20/01/2011 - 10:41]

quero discutir aqui a semelhança (ou coincidência) - vestuário - dos personagens da ópera do malandro , do musical moon walker(mike jackson) com a "energia" incorporada na Umbanda , conhecida como Zé Pilintra . Verifique em algumas imagens , cor do terno , gravata , rosto escondido sob o chapeu ,pernas cruzadas , mão colocada segurando o chapeú ....

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