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12/01/2010 - 13h09 - Atualizado em 17/05/2012 - 16h19


Falante e inquieta, a atriz Claudia Missura releva fases marcantes da vida e da profissão

Por Mariane Granado Rodrigues, aluna do 2º ano de Jornalismo


Reprodução
"Não se deve falar em cena
sem ter imagem na cabeça"

Peso não é proporcional à força. Claudia Missura é a prova. Aparência frágil, rosto fino, pernas magras, braços longos, 54 quilos, 1,68m de altura, escondem uma pessoa forte. Saiu do interior em busca de um sonho: ser atriz. Fantasia que nasceu aos 6 anos, ao vencer um concurso de dança, numa festa de uma comunidade religiosa. Na ocasião, Claudia disse à mãe uma frase que previu seu contexto atual. “Quero ser atriz de verdade!”

Sua casa é um reflexo do seu modo de ser. Paredes coloridas, chão de madeira e uma estante com livros podem ser observados por uma rede pendurada no canto da sala. Brinquedos e ferramentas musicais deixam claro que Claudia não vive sozinha. Moram ali a cantora Claudia d'Orei,a filha, e o cachorro Bento – “a coisa mais linda da minha existência, sou louca por ele”. Um quadro pintado por uma amiga traz consigo sua origem e muitas lembranças.

Nascida em São José do Rio Pardo, Claudia veio para São Paulo aos 17 anos. Antes disso, já atuava.  Primeiramente em companhia do irmão Ângelo Missura Neto, participava em peças da Igreja e, posteriormente, na escola, durante o ensino médio. Seu pai, Natalino Missura, revela que, ainda adolescente, usava o quarto como palco. “Incrível os gritos que ela dava contracenando com o espelho”, lembra.

A vida no interior paulista marcou a trajetória da atriz. Falando de forma fervorosa e prolongada sobre infância, adolescência e família, a filha caçula de Maria Eugênia Missura acredita que “o que diferencia um ator é a origem dele e o que ele essencialmente tem a dizer”. Em sua opinião, os pais, as tradições, o interior e as dificuldades serviram para fortalecê-la emocionalmente.

Normalmente não exibe objetos de riqueza em seu corpo e se declara pouco vaidosa, pensamento contrariado por um vestuário todo combinado: blusa e cachecol verdes e um casaco xadrez esverdeado. “Tenho uma maneira simples de me vestir. Calça jeans, tênis e blusa. Gosto de aprender sobre moda, mas não sou viciada nisso. Moda é a gente que faz”, conta.

Claudia veio para São Paulo cursar teatro na Escola de Artes Dramáticas da USP. Nessa época, para ganhar dinheiro, fazia peças em eventos de várias empresas. Num deles, conheceu Jayme Monjardim, diretor de cinema e televisão, que gostou muito de sua interpretação. Dois anos depois desse episódio, Jayme ligou para Claudia convidando-a para participar da novela Idade da Loba, exibida em 1995, pela Rede Bandeirantes. Foi, então, para o Rio de Janeiro. Não é de se estranhar, portanto, a mistura de sotaques que possui. Variando entre pronúncias longas e curtas da letra “r”, a atriz de 36 anos apresenta o bom humor do carioca e a inquietude do paulistano.

Na Rede Globo, já fez participações no programa A Diarista (2004-2005), Casos e Acasos (2008), A Grande Família (2009), além da personagem Fafá, na novela A Favorita (2008-2009). Claudia já chegou à sua quarta personagem em filmes brasileiros, Domésticas – O filme (2001), O Príncipe (2002), Cristina Quer Casar (2003) e O Menino da Porteira (2009). Entre várias peças de teatro que já fez, destaca as que estão em cartaz atualmente, Menino Teresa, que lhe rendeu o prêmio FEMSA 2009 de melhor atriz, e Comédia dos Erros.

Claudia afirma ter preferência pelo teatro. “Por estar há tanto tempo nessa área e, então, por saber mais, prefiro o teatro. Mesmo achando que tem uma beleza em todos esses espaços, sei mais do que é belo no teatro”, explica. Em qualquer espaço que atue, fica evidente o predomínio da comédia nas personagens interpretadas por Claudia. “Tenho uma ideia muito particular: todo ator cômico pode fazer um belo trabalho dramático, enquanto o oposto não é tão real assim”. Pode-se notar seu talento cômico até em cenas do dia-a-dia.

Gosta de estar com os amigos, tomar vinho e viajar. Segundo o irmão Ângelo Missura Neto, “Claudia adora se aventurar, ir a lugares exóticos, sítios e fazendas”. Além disso, Claudia ama “ficar em casa, ajudando a Elizete (sua empregada doméstica) a organizar tudo”. O que foi confirmado pela própria Elizete que declarou ser essa uma mania da atriz. Claudia assume e afirma: “não sou extremamente organizada, mas tenho essa mania de estética, de estar agradável“.

É impressionante o método caótico de Claudia decorar textos: dirigindo, antes de dormir, vendo ou ouvindo TV. Ela os incorpora, torna-os imagens. Segundo ela, “não se deve falar uma frase em cena sem ter uma imagem na cabeça”. Inspirando-se em Fernanda Torres, ela quer ser muito reconhecida pela sua trajetória. A hora e a vez de Claudia já estão a caminho. Sua vida e sua carreira fazem por merecer.



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