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12/01/2010 - 11h38 - Atualizado em 17/05/2012 - 14h58

Como é o mundo de um jovem que vive da reflexão e da música

Por Fernanda de Araújo Patrocínio, aluna do 2º ano de Jornalismo


Reprodução
A apresentação em Manaus
foi a melhor de sua vida

“Percorreste o caminho que vai do verme ao homem, mas ainda tendes muito do verme. Foste macaco e ainda é mais macaco que qualquer macaco”. Foi este fragmento de Assim Falava Zaratustra, obra de Friederich Nietzsche, que marcou o início da vida adulta de Gummer.

Gustavo Cardoso Rodrigues,  baterista de 21 anos, é de Mogi das Cruzes, no interior paulista, onde vive até hoje. O apelido Gummer foi dado pelo pai, o engenheiro Fábio Rodrigues, de 48 anos, quando o filho começou a estudar bateria aos 11 anos. “Meu pai começou, depois meu tio me via e falava Gummer, the drummer e parentes e amigos adotaram o apelido”, explica o músico. A família sempre o incentivou a estudar música, principalmente a mãe, a funcionária pública Roselene Cardoso Rodrigues, de 45 anos. “Foi ela quem procurou e me matriculou na (escola de música) Vinicius Drums”, enfatiza o jovem.

O baterista afirma que em casa sempre ouviu muita música de estilos variados, de Chico Buarque, Cartola, Milton Nascimento, Coltrane até Miles Davis. “Gosto de MPB, de samba, mas de pagode não”, brinca o rapaz, que é, sobretudo, fã de rock n’ roll. Ele também aprecia música clássica, principalmente as sonatas de Beethoven.

Humilde, diz que tenta tocar piano para ampliar seus conhecimentos sobre teoria musical. Como estuda bateria há 10 anos, ensina como tocar o instrumento e apresenta-se com a sua banda The Four Horsemen – cover do grupo de heavy metal Metallica. A dedicação do grupo pode ser notada nos cuidados com a sonoridade das canções e na expressão corporal: os quatro usam as roupas, cortam os cabelos e imitam os trejeitos do quarteto americano.

O Horsemen faz cerca de cinco shows por mês e já se apresentou de Manaus até Balneário Camburiú. Para o baterista, a apresentação na capital amazônica foi a melhor da sua vida. No dia 05 de dezembro de 2008, 5000 pessoas lotaram o Ginásio Tropical Hotel para assistir diversas bandas. “Diante de tudo aquilo, percebi o quanto a música é importante pra mim; foi a recompensa depois de tanta cabeçada tocando em boteco e para público nenhum”, desabafa.

Ele reconhece ter uma natureza reflexiva muito forte, que o levou a conhecer a “segunda esposa”, como gosta de brincar: a Filosofia – a primeira é a música. O baterista concluiu recentemente o curso de Filosofia na Faculdade Paulo VI, de Mogi, e pretende dar continuidade aos estudos acadêmicos. “Quero fazer Mestrado, Doutorado, só preciso ter mais experiências de vida primeiro”, afirma Gummer.

Gummer estudou por 11 anos no Colégio Policursos. Os olhos mareiam quando relembra os tempos de escola. Para ele, foi lá que conquistou o que há de mais valioso em sua vida: os amigos.

Em meio a intensa rotina de shows, Gummer cuida do corpo e do espírito. Pratica Kung Fu, no estilo Garra de Águia – categoria que segue há três anos. “Estava me sentindo muito cansado depois dos shows, voltei pro esporte e tento me alimentar bem; mas sou fissurado em hambúrguer”, reconhece.

O jovem almeja viver de música. Inquieto, batuca as mãos o tempo todo enquanto conversa, sempre marcando um ritmo. “O futuro vai se construir de acordo com o que eu fizer agora”, filosofa Gummer. Ele se define como “uma consciência em construção” e encara sua arte como “o momento de liberdade plena”. E é sorrindo, com otimismo, que este cavaleiro filosófico relata a vida. Cheio de reflexões e com os pés no chão.



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