A distância entre uma peça de roupa muito desejada e o guarda-roupas de uma mulher pode ser centenas de reais. Por esse motivo, surgiram as chamadas lojas de ponta-de-estoque, conhecidas também por outlets, que dominam a avenida Bem-te-vi, em Moema, zona sul de São Paulo. O conceito é simples: roupas com pequenos defeitos ou de coleções anteriores vendidas com bons descontos.
Alguns estabelecimentos da avenida trabalham tanto como outlet quanto como loja de estação. É o caso da “Companhia das Meias”, especializada em lingerie. No andar térreo, estão todas as peças da coleção nova da primavera/verão, enquanto no sub-solo fica o outlet. Um modelo de sutiã que aparece no andar mais alto por 159 reais, é vendido em cor diferente, a apenas alguns degraus de distância, por 49 reais — e não se trata de defeito de fabricação, apesar de artigos desse tipo também serem encontrados nas araras. De acordo com a gerente da loja, Cristiane Vieira, muitas consumidoras vão ao andar de baixo por um motivo bastante específico: a procura de um presente para dar à empregada ou à babá.
De acordo com a consultora de moda Fernanda Langhammer, sócia da “Wafer Fashion Ideas”, o aparecimento de pontas-de-estoque em terras brasileiras é uma tendência trazida dos Estados Unidos. “Acredito que as outlets irão se instalar no país de uma forma brasileira, talvez não com a mesma força que têm nos Estados Unidos. É uma chance que as pessoas têm de utilizar uma marca desejada por um valor mais acessível.”, explica. Além de ser vantajoso para as marcas, já que se trata de uma segunda oportunidade de venda.
Porém, ao buscar preços mais baixos, o consumidor abre mão da exclusividade que somente uma loja de estação pode oferecer. É o que diz o sub-gerente Bruno Farias, da “TNG Outlet”, que fica de frente para a avenida Bem-te-vi, na rua Gaivota. Segundo ele, a diferença entre o perfil dos compradores de lojas de shoppings e dos compradores de outlets é uma só, o que cada um procura. “No shopping, o cliente quer exclusividade. Aqui, ele só está de olho no preço. Às vezes a peça nem agradou muito, mas como está barata, ele acaba levando”.
Na contra-mão do resto da avenida Bem-te-vi está a “Shoestock”, fundada em 1986 como uma autêntica ponta-de-estoque. Com a fama consolidada, se tornou a loja mais frequentada da avenida, a ponto de uma van transportar os clientes de um estacionamento localizado a cerca de 30 metros de distância até a porta da loja, nos finais de semana chuvosos.
Mesmo com o sucesso, o processo de preenchimento das prateleiras mudou da fundação da loja até hoje. Antes, uma equipe de estilistas selecionava sapatos em fábricas no interior de São Paulo e os revendia na loja por preços baixos. Atualmente, todos os sapatos vendidos são de fabricação própria. “Eu nem considero a “Shoestock” uma ponta-de-estoque mais”, diz Gislaine Martins, que frequenta a loja há 15 anos. Isso se reflete nos preços, que nem são mais tão convidativos.
Sem entrar no mérito se a cliente tem sempre razão, fato é que o sapato mais barato não sai por menos de 200 reais. No meio das prateleiras, organizadas por número e cor, é possível encontrar modelos que custam mais de 400 reais. “O perfil da loja vem mudando há três anos. E esse ano mudou completamente”, admite Renata Barbosa, assessora de imprensa da “Shoestock”.
Uma a mais uma a menos, a característica principal da Bem-te-vi está mantida: roupas de grife a preços mais baixos. No final, as pontas-de-estoque são vistas com bons olhos, comerciantes se desfazem de produtos encalhados e consumidores compram aquilo que tanto desejavam.
Shoestock
Avenida Bem-Te-Vi, 221 - Moema,
(11) 5044-4513
TNG
R. Gaivota, 1274 - Moema
(11) 5092.2916
Companhia das Meias
Avenida Bem-te-vi, 199 - Moema
(11) 5041-6765
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