A edição convidou os espectadores a exigir o respeito à humanidade. Os palestrantes foram Tatiana Merlino e Ivan Seixas.
Em 10 de dezembro, o último Café Filosófico no Parque Trianon de 2009 discutiu os Direitos Humanos no século XXI. Esta edição convidou os espectadores a garantir e exigir o respeito à humanidade. Os palestrantes foram Tatiana Merlino, jornalista vencedora de dois prêmios Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, e Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo.
Como lembrou o organizador do evento e professor de Filosofia da Faculdade Cásper Líbero Francisco Nunes, o lema do encontro é “trocando ideias, tomando atitudes” e para frisar a importância do debate, Tatiana Merlino enfatizou desafios que a sociedade brasileira precisa enfrentar para garantir democracia e direitos. Entre eles o maior seria o julgamento dos criminosos e torturadores da Ditadura Militar, ainda impunes. Contou brevemente a história de seu tio, Luis Eduardo Merlino, que foi preso, torturado e assassinado durante a Ditadura. “Os crimes não podem ficar impunes. E isso acontece por causa de uma interpretação errada da Lei de Anistia, que entende os crimes de tortura como anistiáveis, mas não são”, afirma. A família da jornalista move ação na área civil para declarar Ulstra como torturador.
Para trazer a discussão para o período histórico mais recente e pedir por justiça, principalmente aos pobres, Tatiana Merlino falou também dos Crimes de Maio de 2006, mês em que 493 jovens, em maioria negros e de classe D e E, morreram devido à ação policial desencadeada após os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo. A jornalista destacou que estes jovens não eram integrantes da facção, ou seja, não estavam envolvidos diretamente com os conflitos, mas mesmo assim, sofreram as consequências.
Ivan Seixas, presidente CONDEPE, contou sua própria história, foi preso e torturado, e conseguiu sobreviver. “Sou um documento vivo”, relata. É justamente por ser uma testemunha, e por ainda existirem vítimas da tortura vivas, que Seixas reforça: “A humanidade precisa ser defendida da própria humanidade. Se dermos o direito de alguém discriminar o outro, dou direito a qualquer um tirar o direito de qualquer outra pessoa, em qualquer instância”. Afirmou ainda que quem sofre mais com a falta de justiça são os pobres, e Tatiana Merlino concordou.
Para fechar a participação, os palestrantes reforçaram que a justiça precisa punir a rigor e pediram para os convidados repensarem as questões destacadas. “A Ditadura de classe acaba se mudarmos a postura”, finalizou Ivan Seixas.
O evento acontece toda primeira quinta-feira do mês e terá a próxima edição após a volta às aulas em 2010.
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