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16/12/2009 - 16h31 - Atualizado em 07/02/2012 - 17h49

Crise moral no jornalismo

Mariana Araújo, aluna do 1º ano de Jornalismo

Editor de site francês diz que saída para jornalistas é apostar na web

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Maíra Roman
No último dia do MediaOn 2009, Pierre Haski, editor-chefe do site Rue 89, afirmou que há “uma crise moral que afeta a confiabilidade dos mecanismos de produção de notícia”.

Também participaram do debate Fernando Madeira, CEO do Terra América Latina, e Cláudia Vassalo, diretora de redação da revista Exame, Exame PME e do Portal Exame, que ficou responsável pela mediação.

Crise de confiabilidade

Citando uma pesquisa realizada há um mês, Kaski afirmou que 62% dos franceses não confiam nos jornalistas. Ele acredita que a alternativa para os profissionais da área é a inovação e a web é o ambiente propício para essa mudança. “A limitação não está na tecnologia e sim nas nossas mentes”, disse.

O editor ainda falou sobre o conceito desenvolvido pelo Rue 89 de “3 vozes”: jornalistas, especialistas e internautas, que possuem espaço para publicar e, portanto, ajudam na reconstrução da credibilidade comprometida. “Temos de construir na rede um lugar seguro de informação. Na França, a internet ainda é vista como um lugar de pedofilia, prostituição”, lamentou.

A constante contribuição do leitor, seja com comentários ou novas informações, é uma amarra para a maioria dos jornalistas, segundo ele. “Lá [no Rue 89], gostamos de pensar ao contrário, pescar histórias com nossos colaboradores”. Haski ainda frisou que o grande acesso à informação proporcionada pelas facilidades tecnológicas não pode substituir o trabalho do jornalista - que não é um simples coletor.

Ao contrário de todos os outros debatedores do evento, Haski vê um grande problema na dependência financeira do jornalismo online em relação à publicidade. “Depender da propaganda é um erro. Eles têm seu próprio espaço hoje”, disse sobre os sites de grandes corporações, como a L’Oreal.

Meio mais democrático do País

Já o CEO do Terra na América Latina, Fernando Madeira, ressaltou a importância da internet no Brasil. Segundo Madeira, a rede é o meio de comunicação mais democrático do País, atrás apenas da televisão em penetração. Nas estatísticas apresentadas por ele, as classes C e D somam participação superior às classes A e B, devido ao número de lan houses espalhadas, um modelo de acessibilidade para a China, por exemplo.

Madeira deu especial enfoque ao que chamou de triângulo dourado: uma combinação de conteúdo, tempo real e mobilidade que devem estar associadas a uma marca para garantir o seu sucesso. Este, segundo Fernando Madeira, está a cada geração que passa mais volátil. “Nós que nascemos no mundo digital temos pouco apego às novas marcas”, disse.