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09/12/2009 - 13h15 - Atualizado em 07/02/2012 - 10h03

O jornalista da internet

Hugo Passarelli, editor do Site de Jornalismo

Pedro Doria fala sobre novas tecnologias e a crise dos jornais

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"Pensar como deve ser o jornalismo na internet". É essa a função que o carioca e jornalista Pedro Doria, 34 anos, assumiu há cerca de dois meses no Estado de S. Paulo, depois de passar um ano na Universidade de Stanford, no Vale do Silício, aprendendo com os colegas americanos muito do que, provavelmente, colocará em prática por aqui.

Pedro Doria já escreveu sobre política, ciências, sexualidade (sendo o "responsável" pela descoberta da ex-prostituta Bruna Surfistinha e seu blog) e polícia, entre outros assuntos, e já colaborou com publicações tão distintas como Gloss, Playboy ou Superinteressante. Seu blog, recentemente desativado, foi um dos primeiros do Brasil a contar com conteúdo jornalístico. Ainda na internet, Doria foi um dos responsáveis pela criação dos sites No. e NoMínimo, já extintos. No Estadão, já foi editor do suplemento Aliás e, além do atual cargo de editor-chefe de conteúdos digitais, possui uma coluna semanal no caderno Link.

Após participar do III Seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais, realizado em 12 de setembro, o jornalista conversou com o Site de Jornalismo. Longe de ser categórico, Doria avisa: "o que será a internet daqui a 5 ou 10 anos? A gente não tem a mais vaga ideia". A seguir, os principais trechos do bate-papo:

Editor-chefe de conteúdos digitais do Estadão
Eu passei um ano da Universidade de Stanford, no Vale do Silício, estudando o processo de transição dos jornais impressos para o online. Quando voltei o Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Estado de S. Paulo, me ligou e perguntou se eu queria assumir essa parte digital do jornal. Eu topei.

Rotina de trabalho
O meu trabalho como editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado é um trabalho mais estratégico. Pensar para onde nós temos de ir, as mudanças que tem de ser feitas e que tipo de presença online nós queremos ter no futuro. Pensar como deve ser o jornalismo na internet.

Novas tecnologias
Internet traz muitas dificuldades para jornalistas porque é uma mídia ainda em transformação. Há três anos não havia Twitter, há 10 anos não havia blogs como há hoje. O que será a internet daqui a 5 ou 10 anos? A gente não tem a mais vaga ideia. Ainda não está claro como você pode sustentar uma redação apenas com a internet. É possível, e isso nós ainda não sabemos, que só com propaganda dê. Mas isso no futuro, quando houver mais pessoas na rede, principalmente no Brasil.

Crise dos jornais
A crise americana [dos jornais] é uma crise de modelo de negócio. Você tem menos gente comprando papel e é isto que sustenta a empresa e a redação. Em termos de referência, só para pegar o exemplo mais óbvio, temos o New York Times, que hoje é lido por 5 a 10 vezes mais pessoas do que era lido há 10 anos. Enquanto referência ele é muito mais importante e relevante hoje do que jamais foi em sua história. Não existe dúvida a respeito da importância da existência do New York Times. A dúvida que existe é se ele, enquanto empresa, vai conseguir se sustentar no futuro. No caso do Times, se eu tivesse de fazer uma aposta, seria que sim. Mas eu acho que muitas empresas jornalísticas de médio porte vão acabar.

Informação paga na internet
Eu tenho a impressão, com medo de não fazer uma afirmação categórica, que na internet boa parte do conteúdo vá continuar gratuitO. Mas você vai encontrar meios para cobrar por algum tipo de coisa. Algum tipo de serviço que seja particularmente útil ao usuário, a informação financeira, por exemplo. Os jornais Financial Times e o Wall Street Journal já cobram por esse conteúdo. Algum modelo de cobrança talvez venha a funcionar.

Participação do internauta
Existe a complicação de como gerar um diálogo inteligente na internet. Não é um problema elementar. Tem muita gente querendo participar de uma conversa inteligente, mas você também tem pessoas querendo perturbar qualquer tipo de conversa. Qual o grau de moderação que você tem de fazer? Nós [a imprensa] estamos aprendendo a dirigir com o carro já em movimento.

Formação jornalística
A coisa mais rara de se encontrar, principalmente em jornalistas recém-formados, é gente que conheça História, escreva bem, entenda política, economia... Saber editar vídeos, usar o YouTube ou saber montar um blog, não é diferencial, porque todo mundo já faz isso nas faculdades. As pessoas aprendem esse tipo de coisa porque faz parte da vida delas. É claro que se você não sabe utilizar internet, as chances ficam consideravelmente menores. O problema é que eu não conheço nenhum jornalista recém-formado que não saiba isso. Mas eu conheço muitos que não sabem o básico. Eu acho que as coisas essenciais continuam a ser as coisas essenciais.