Ciberespaço, a luta pelo conhecimento, de Sérgio Amadeu e Dimas Künsch, cumpre uma importante função didática no Brasil, que é colaborar com material consistente para a alfabetização digital. Apesar de ganhar cada vez mais adeptos, a história e a dinâmica de funcionamento da internet é desconhecida da população em geral.
Só os aficcionados ou estudiosos da área procuram entender como a comunicação entre computadores não se dá naturalmente, mas por obra da criação humana. E, como toda criação humana, a internet envolve escolhas, um modo de ver o mundo e uma orientação política. É isso que define a decisão de abrir ou fechar redes, por exemplo, e o quanto seria democrático cobrar pelo acesso.
Os autores dão conta das questões fundadoras da internet bem como das questões polêmicas ou aquelas ainda (e em permanente) discussão, como governança da rede, a propriedade das ideias, o copyright, direitos autorais, interatividade, cyberpunk, software livre como direito do cidadão ao invés da imposição do software pago e proprietário, o espírito de colaboração inerente à sociedade do conhecimento e a cultura hacker.
A rede das redes é uma criação coletiva que carrega o espírito de compartilhamento espontâneo, algo muitas vezes não compreendido pela indústria cultural, que busca, cada vez mais, criminalizar a troca de arquivos, principalmente de filmes e músicas. Assim, há um jogo de forças que pode colocar em cheque a sensação e a liberdade de compartilhamento de informação no ciberespaço, até a limitação mesmo do acesso, criando o que os autores chamaram de “Exclusão digital”, o último capítulo do livro.
Longe de ser linear, Ciberespaço, tem uma leitura fluida e hipertextual, como convém ao público jovem, retomando e recontextualizando nos capítulos os conceitos apresentados ao longo dos textos. O livro deixa clara a “dupla mediação” da internet que, como diz o pensador da Comunicação Bernard Miège, é a “análise dos desenvolvimentos técnicos a partir de sua determinação social e das lógicas sociais da comunicação através da emergência das TICs, as Tecnologias da Informação e Comunicação”.