Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Artigos

08/12/2009 - 10h39 - Atualizado em 16/05/2012 - 14h16

O Estranho Mundo de Tim

Por Joana Burd, do 2º ano de Jornalismo

Animações de Tim Burton

Compartilhe:


Reprodução
As personagens de
A Noiva Cadáver

Timothy William Burton nasceu em 1958, em uma cidadezinha próxima à Los Angeles chamada Burbank, famosa por reunir a galera do cinema. O diretor, produtor e cineasta é apaixonado por contos de terror, sua noiva é a sombria atriz Helena Bonham Carter e seu fiel escudeiro é o ator Johnny Depp. A história de Tim Burton começou quando ganhou – lá pelos 20 anos – uma bolsa dos estúdios de Walt Disney para estudar animação.

O primeiro trabalho com sua participação foi O Cão e a Raposa (1981), mas o longa era “fofo” demais, completamente diferente da verdadeira paixão do cineasta: o macabro excêntrico. Já em Vincent, lançado no ano seguinte, Tim teve a chance de mostrar ao mundo – já que a produção foi sucesso de bilheteria – qual era a sua vocação. Assim como a maioria das animações de Tim, foi feito em stop motion, uma das técnicas mais complicadas para produções animadas manualmente.

Depois de O Cão e a Raposa e Vincent, o primeiro grande destaque de Tim – não apenas do gênero de animação, mas de sua carreira – foi o longa-metragem O Estranho Mundo de Jack (1993), baseado em um poema escrito pelo próprio Tim Burton. Com uma das melhores trilhas sonoras, com destaque para as duas músicas superbacanas: The Halloween e Kidnap The Sandy Klaws, o filme conta a história de uma criatura consagrada no Mundo do Halloween que, por acidente, descobre o Natal dos humanos e resolve recriá-lo em um mundo diferente.

A produção em stop motion  levou três anos para ficar pronta. Foi indicada ao Globo de Ouro na categoria de “Melhor Trilha Sonora” e ao Oscar por “Efeitos Especiais”.

Três anos depois, em 1996, Tim se envolveu em um trabalho um pouco diferente do que os de costume. Sem elementos do submundo, James e o Pêssego Gigante pode ser visto por crianças de todas as idades sem risco de camas molhadas durante a noite. Não tem caveiras, nem músicas assustadoras. É a história de um menino que, ao ficar bem pequenininho, entra em um pessegueiro e vive uma aventura, a lá american way, pela cidade de Nova York.

Talvez por ter participado de uma animação tão infantil, Tim tenha aguardado onze anos até lançar em 2005 A Noiva Cadáver, inspirado em um conto russo-judaico, ambientado, contudo, na Inglaterra vitoriana. O enredo traz novamente à tona elementos fantásticos de O Estranho Mundo de Jack, além de também ter sido montando em stop motion.

O filme conta a história de um novo rico prometido à uma jovem de bom sobrenome, mas sem dinheiro. Mesmo sendo acordo entre as famílias, o moço acaba se casando, sem querer, de certa forma, com uma noiva cadáver. A produção também foi indicada ao Oscar como “Melhor Animação”.

A recepção positiva foi tão grande, que não tivemos de esperar mais de dez anos para uma nova animação de Tim. A trama 9, A Salvação, que está nas telonas mundiais desde setembro deste ano, conta a vida de bonecos de panos em um mundo pós-apocalíptico dominado por máquinas. Nos Estados Unidos a indicação etária é de treze anos, por conta das cenas assustadoras de violência.

Diferentemente das obras anteriores do cineasta, 9, A Salvação foi completamente feita em computação gráfica, o que fez perder um pouco do charme. O filme, aliás, teve inspiração em um curta homônimo de 2005, que até foi indicado ao Oscar de “Melhor Curta de Animação”.

Se os grandes trabalhos de Tim Burton na área de animação não chegaram a ser reconhecidos por uma academia, este fato não diminui a criatividade e o cuidado do cineasta com suas produções. Para aqueles que ainda não conhecem seus filmes, fica a dica para passar o quanto antes em uma locadora, ou no caso de 9, A Salvação, no cinema, e conhecer o estranho mundo de Tim Burton.