Erivam de Oliveira integrou o corpo docente do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, onde deu aulas de Fotojornalismo durante treze anos. Com experiência de mais de 25 anos como repórter fotográfico, trabalhou em jornais de destaque, como O Globo e Diário Popular. Formado em Jornalismo e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da USP, atualmente leciona na Universidade Federal de Viçosa em Minas Gerais.
Em uma rápida conversa, o professor Erivam falou sobre liberdade de expressão, censura e sobre sua trajetória profissional como fotojornalista.
A liberdade de expressão realmente existe nos meios de comunicação?
Eu acredito que não. Depois da redemocratização do país, eu acho que a liberdade vem aumentando. Existe em fatos isolados, como nessa questão do diploma de Jornalismo que está sendo muito questionada. Mas trata-se de um lobby das empresas de comunicação, não de Jornalismo. Porque o sindicato de jornalistas do país inteiro, a FENAJ, defende que deva existir o diploma para exercer a profissão.
Para você, o que é liberdade de expressão?
Eu acho que a liberdade de expressão é você ter a liberdade de noticiar com responsabilidade. Não é simplesmente jogar uma matéria e detonar uma reportagem ou uma pessoa. O jornalista tem responsabilidade. Ele deve ser livre para publicar aquilo que considerar que deve ser publicado. Doa a quem doer.
E você acha que o acesso à informação leva ao conhecimento?
Sim. Com certeza. É simples você analisar. Uma pessoa que vive em um lugar onde não há acesso a jornais, à televisão ou à rádio é muito mais limitada do que alguém que vive nos grandes centros. É fato. Lógico que é questionável a forma como os meios de comunicação levam essa informação. No caso de um programa de baixa qualidade, em vez de informar, desinforma. Torna-se um desserviço ao país.
Como fotógrafo, você sofreu censura sobre seus trabalhos?
Vivenciei dois períodos diferentes de trabalho. Um deles foi o final da ditadura militar, neste momento existiam as censuras governamentais. E, depois, enfrentei a censura dos próprios veículos. Já existia na cabeça dos editores uma censura prévia, mas isso foi se quebrando com o tempo. Mas sim, em alguns momentos, houve censura sobre o meu trabalho. Um tipo de censura para qual eles diziam “faça essa matéria, porque ela é importante, não para a população, não para a sociedade e sim para o dono do jornal”.