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08/12/2009 - 14h47 - Atualizado em 17/05/2012 - 13h26

Entre cães, gatos e Caldas

Por Fernanda Araújo Patrocínio, do 2º ano de Jornalismo


Reprodução

O consultório é tranqüilo e inodoro, cheio de saletas. Os veterinários que ali circulam, de roupa cirúrgica azul, carregam no lado esquerdo do peito o mesmo sobrenome: Caldas. Cães e gatos são cuidados pelos veterinários da família Caldas há 71 anos. “Tudo começou com meu bisavô, Djalma Caldas, e já estamos na quarta geração”, explica Rodrigo Caldas, de 31 anos.

Rodrigo é um dos sete membros da família que atendem na tradicional clínica veterinária localizada na Rua da Consolação nos Jardins. Fernando Caldas é o mais velho em atividade, com 40 anos de experiência na clínica. São tios, sobrinhos e primos que trabalham juntos para o bem-estar dos pets.

Aberta 24 horas nos sete dias da semana – incluindo Natal e Ano Novo -, a clínica atende, sobretudo, a clientela da vizinhança. Rodrigo diz que, às vezes, aparece algum animal de lugar distante, mas é difícil. “Hoje tem muita concorrência”, reconhece. A tradição da família em atender cães e gatos faz com que donos de animais mais exóticos se dirijam a outros estabelecimentos. “Uma vez um cliente trouxe uma iguana para tratarmos; encaminhamos para um atendimento terceirizado”, conta com seriedade o veterinário. Ele ainda observa que é preciso investir na saúde do animal de estimação. “Um animal pequeno, considerando alimentação, vacinas e higiene, gasta cerca de cem reais mensais”, avalia Rodrigo.

A clínica especializada em animais de pequeno porte atende pets com doenças infecciosas, epidérmicas, verminoses e realiza cirurgias. “Aqui o mais comum é acidente envolvendo gatos“, destaca o simpático Ivan Caldas, “muitos caem das sacadas dos apartamentos”,. Entre os internados recentemente esteve Penélope, ou Pepê, uma cachorrinha maltês de 6 anos que foi atropelada há 46 dias, na esquina das ruas Haddock Lobo e Oscar Freire. A estilista Glenda Cabral, de 29 anos, visita sua mascote três vezes ao dia e não economiza carinhos e mimos. “Quando ela chegou, a perninha estava preta, achavam que teria que amputar”, diz Glenda com ar sóbrio. “Mas ela foi forte, uma guerreira”, completa. “Estou fazendo tudo o que ela gosta, trago filé de frango grelhado e mignon; já engordou 900 gramas”, orgulha-se a estilista. Os veterinários observam que não há problemas em dar comida ao animal, porém que a ração é mais balanceada para a dieta do pet.

Pepê é um caso de animal que recebe carinho do dono, sem ser descaracterizado como um bicho de estimação. Animais que usam roupas, por exemplo, costumam sofrer problemas com micoses. Rodrigo revela que é corriqueiro cães saudáveis terem problemas emocionais. “A depressão em cães que passam muito tempo sozinhos em apartamento é comum”, destaca. Para tratar, usam-se os mesmos medicamentos que são pré-escritos para humanos. “Cães com epilepsia costumam ser tratados com Gardenal”, conta o veterinário.

Muitos clientes costumam encontrar animais abandonados nas ruas e levá-los à clínica. Segundo Rodrigo as pessoas trazem os bichos e os apadrinham. “Colocamos os animais para adoção e geralmente aparece um interessado rapidamente”, conta. “A clínica não comercializa animais”, salienta.

O médico revelou que cada pessoa que trabalha ali é pelo gosto de cuidar dos animais. “Nunca tivemos pressão nenhuma. Eu e meus dois irmãos somos veterinários; mas minha irmã é bancária”, revela. Rodrigo nunca teve gatos, só cães. “Para trabalhar não tem diferenças, mas o cachorro é mais companheiro; gatos são bem mais independentes”, explica o veterinário, que no momento não tem nenhum animal em seu apartamento.

O bom humor e a dedicação dos membros da família Caldas são refletidos nesta clínica quase secular. A simpatia e o respeito com que tratam os pacientes e os respectivos donos reforçam o título conquistado na capital paulista: os melhores veterinários da cidade de São Paulo.

Clínica Veterinária Caldas
Endereço: Rua da Consolação, 3649
Tel: 3085-244