Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Notícias

08/12/2009 - 12h24 - Atualizado em 16/05/2012 - 17h02

Eduardo Silva e Sandra Goulart comentam Lévi-Strauss no Parque Trianon

Por Narlir Gustavo Elias Galvão, do 1º ano de Jornalismo


Beatriz dos Santos
Eduardo Silva, ator e palestrante
desta edição do Café

Na tarde do dia 12 de novembro, o Café Filosófico comemorou sete anos de edições mensais, às primeiras quintas-feiras de todos os meses, no Parque Trianon. Com a presença do violonista Bonfim, do ator Eduardo Silva, que interpretou o Bongô no Castelo Rá-Tim-Bum da TV Cultura e da antropóloga e professora da Faculdade Cásper Líbero, Sandra Goulart, a discussão levou os conceitos de raça com base na teoria de Lévi-Strauss, que foi homenageado diante de seu falecimento no dia 1º.

O professor de Filosofia Francisco Nunes celebrou a data e afirmou que o Café, ao longo desse tempo, “tornou-se uma referência dentro do parque Trianon e é uma das raras oportunidades que a Faculdade tem de conhecer os seus entornos”.

O evento começou com a apresentação do músico Bonfim, que tocou na viola o “Hino da Vitória”, “Carinhoso”, de Pixinguinha e o tema da atual novela da Rede Globo, “Viver a Vida”, a canção “Sei Lá... a Vida tem Sempre Razão”, de Toquinho e Vinícius de Morais.

Após o momento musical, foi a vez do ator Eduardo Silva contar a sua experiência profissional e discutir a discriminação que a sociedade atual ainda preserva. Ele acaba de completar 35 anos de carreira, deu seus primeiros passos ainda com 12 anos, fazendo comerciais para a televisão. Em novelas e seriados, foi escalado na maioria das vezes para personagens de escravos, empregados e bandidos, assim como sugere a imagem estereotipada do negro.

Ainda assim, não se posiciona totalmente contra ao fato de o negro sempre estar predestinado a esses tipos na dramaturgia, pois eles podem trazer grande profundidade para o trabalho do ator.

Na novela “Ana Raio e Zé Trovão”, da extinta Rede Manchete, interpretou um peão chamado Niltinho que tinha uma relação com uma mulher branca. Isso fez com que a emissora recebesse cartas dos telespectadores pedindo o fim do romance. Sobre a representação do negro na mídia, reflete que a situação “está bem melhor do que há 30 anos, mas ainda está muito aquém do que deveria estar”.

Por outro lado, a antropóloga Sandra Goulart disse que “na antropologia não se utiliza mais a noção de raça”. Pois, para ela, o conceito de raça não se sustenta mais cientificamente, já que “nenhum grupo humano detém certas características genéticas”. De acordo com o antropólogo Franz Boas, “é a cultura, e não a biologia, que nos faz seres humanos”. Com base nesse ponto, ela reflete o relativismo cultural e o liga ao texto “Raça e Cultura”, de Claude Lévi-Strauss, que tentava impedir uma perspectiva etnocêntrica sobre as culturas.

O músico Bonfim fechou o encontro com a música “Maria Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Já que diante da sociedade, que por vezes não tolera as diferenças de cada um, realmente é “preciso ter raça, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre”.