Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Notícias

30/11/2009 - 08h33 - Atualizado em 15/05/2012 - 11h25

Walker Evans no MASP

Por Fernanda de Araújo Patrocínio, do 2º ano de Jornalismo


Reprodução

O Museu de Arte de São Paulo traz a exposição Walker Evans. O público pode conferir 121 imagens feitas pelo fotógrafo norte-americano no século passado. As consequências da Grande Depressão na população agricultora comum e a vida miserável na capital cubana Havana são alguns dos temas da mostra.

Evans nasceu no dia 3 de novembro de 1903 em Saint Louis no estado do Missouri. Na infância pintava e brincava com uma máquina fotográfica Kodak. Na faculdade, cursou durante um ano Literatura e depois fugiu para Nova Iorque. Lá trabalhou na Biblioteca Pública e pode ter contato com autores como T. S. Eliot, James Joyce, Charles Baudelaire e Gustave Flaubert, que o fizeram sonhar ser escritor.

Em 1927, mudou-se para Paris e após um ano escrevendo ensaios e pequenas histórias, retornou à Big Apple. A partir de então, passou a ter maior contato com a fotografia e percebeu que podia ser tão crítico com imagens quanto com palavras. Influenciado pelo modernismo europeu, trabalhou com a realidade, procurando sempre destacar o objeto, por mais simplório que fosse. A técnica da justaposição foi o marco e a base de sua obra.

O período da Grande Depressão americana é o tema mais recorrente na carreira de Evans. Em junho de 1935, foi contratado pelo Ministério do Interior - órgão criado para controlar as conseqüências da Crise de 1929 – e registrou imagens de mineiros desempregados do oeste da Virgínia. Atuou também como informante: este cargo o ligava ao Ministério da Agricultura, especialmente à agência de acordos e administração da segurança rural (Farm Security Administration – FSA). Nesta agência, Evans trabalhou com outros grandes nomes do fotojornalismo como Dorothea Lange, Arthur Rothstein, e Russell Lee. Supervisionados por Roy Stryker, estavam incumbidos de fotografar pequenos vilarejos, focando a população rural, para mostrar como o governo americano vinha dando suporte às vítimas da Crise. Com olhar criterioso, Evans fez fotos de pessoas e lugares ordinários, como do cotidiano de uma barbearia, de igrejas rurais e de cemitérios. Ao serem publicadas, denunciaram a alarmante situação dos pequenos fazendeiros, indicando ao público a profundidade das consequências da Grande Depressão. Este trabalho é um grande marco no que diz respeito ao fotojornalismo documental.

Contratado pela revista Fortune, em 1936, Evans viajou para o Sul dos EUA, juntamente com o escritor James Agee, para relatarem a situação dos rendatários rurais da região. O denso trabalho resultou em um texto descritivo feito por Agee, que acabou rejeitado pela publicação. As 500 páginas e as fotos deram origem ao livro Let Us Praise Famous Men, uma das mais importantes obras do século XX em sua categoria.
Em setembro de 1938, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque fez uma exposição intitulada Walker Evans: American Photographs. Foi a primeira vez que o museu fez uma exposição voltada ao trabalho de somente um fotógrafo.

Entre 1938 e 1941, Evans fotografou pessoas no metrô de Nova Iorque. As imagens foram reveladas ao público em 1966, por intermédio do livro de Houghton Mifflin chamado Many Are Called. O livro continha ainda a introdução feita por Agee, redigida em 1940. Nele, segundo Evans, as pessoas estão sem pose, o que faz com que “não estejam em guarda e fiquem sem as máscaras”. Com uma câmera Contax de 35mm no peito, Walker surpreendia os passageiros com seus cliques. Evans apreciava o ar pensativo e introspectivo dos retratados.

De 1934 e 1965, Evans contribuiu com mais de 400 fotografias para 45 artigos da revista Fortune. Nela, ainda atuou como editor especial de fotografia (1945-1965), em que além de definir layouts e selecionar fotos, escrevia textos. Tal oportunidade aliou as duas paixões de Evans: fotografar e a escrever.

Em 1973, Walker começa a utilizar a câmera Polaroid SX-70. O novo instrumento proporcionou um diferencial às fotografias, pois agregava o teor critico e poético de Evans e a instantaneidade da máquina. Walker Evans falece em 1975 na cidade de New Haven, Connecticut.

Agora no MASP, pode-se conferir as passagens profissionais de Evans e a sofisticação do fotógrafo. A expressão temporal nos detalhes e na espontaneidade de suas imagens revela a importância da fotografia no campo jornalístico. Evans fez um trabalho crítico e intimista sobre seu tempo.

 

Serviço
Masp
Avenida Paulista, 1.578.
Tel. (011) 3251-5644. 11h/18h
(5.ª até 20h; fecha 2.ª). R$ 15 (3.ª, grátis).
Até 10/01.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.