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22/11/2009 - 23h58 - Atualizado em 16/05/2012 - 18h58

1 a cada 10 lugares-comuns

Nádia Lapa, aluna do 2º ano de Jornalismo

Site é testado com base em clichês de Pai dos Burros, novo livro do jornalista Humberto Werneck

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Reprodução

O jornalista Humberto Werneck afirma que o recém-lançado O Pai dos Burros – dicionário de lugares-comuns e frases feitas não deve ser encarado como uma lista proibitiva. As 4.640 expressões elencadas por Werneck foram garimpadas em todos os lugares – até mesmo em velórios. Algumas são típicas da linguagem falada, como “ser um pé no saco”, “rei da cocada preta” ou “estar se lixando para”. Outras são utilizadas com exagerada frequência pelos jornalistas. É o caso de “rigoroso inquérito”. No prefácio, o autor escreve: “não será acrescentando-se o adjetivo ‘rigoroso’ ao substantivo ‘inquérito’ que se fará um brasileiro acreditar que desta vez, sim, a falcatrua vai ser integralmente esclarecida”.


Site à prova
Como exercício de busca de lugares-comuns, este Site de Jornalismo da faculdade foi colocado à prova. 60 verbetes do Pai dos Burros foram testados. Destes, apenas seis foram detectados nas páginas do site. Se houvesse um índice baseado nesta premissa, o site abrigaria 10% de lugares-comuns. A expressão “anos de chumbo” aparece em duas notícias: Qual o peso do conteúdo nas mudanças gráficas dos jornais?  e em 28ª edição do Prêmio Vladimir Herzog. “Quando se começou a falar ‘anos de chumbo’ para se referir à ditadura, a ideia era ótima; com o passar dos anos e a exaustiva repetição, perdeu o impacto”, diz o autor. A campeã em aparições é “cenário político”, utilizada em cinco textos do site. “Nova abordagem” e “coibir abusos” aparecem em duas notas, enquanto “bode expiatório” e “longa caminhada” surgem em apenas um texto cada. Entre as expressões não utilizadas pelo site de Jornalismo, há algumas encontradas com facilidade nos jornais diários. É o caso de “tecer comentários”, “controle rigoroso” e “violentos contrastes”.

Criatividade
Em bate-papo realizado no último dia 8 de setembro na Faculdade Cásper Líbero, o jornalista Humberto Werneck defendeu um maior cuidado na elaboração de textos e em se evitar a repetição de clichês. Ele lembra, porém, que o clichê de hoje já foi algo extraordinário no passado. “Negro como a asa da graúna”, por exemplo, foi a descrição perfeita para a cor do cabelo da Iracema de José de Alencar, mas isso foi há mais de 150 anos. No futebol, sempre a final de campeonato disputada em dois jogos vira um “jogo de 180 minutos”. Se a torcida comparece em peso ao estádio, vira o “12º jogador”. Para evitar estes lugares-comuns, Werneck ensina: “Criatividade é a palavra chave”. Mas uma rápida consulta ao Pai dos Burros com certeza também ajuda.