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17/11/2009 - 13h15 - Atualizado em 15/05/2012 - 07h56

Do preconceito aos primeiros lugares nas paradas

Por Ana Luísa Pacheco, Marcelo Viesti e Rafael Baptista, do 1° ano de Rádio e TV


Reprodução
O Black Power era uma
manifestação pacifista

A música negra americana conquistou um enorme espaço na indústria musical e, hoje, a música Black disputa com o Rock o primeiro lugar nas paradas mundiais. Mas esse espaço não foi fácil de conseguir, foram séculos de luta.

Com o tráfico negreiro, aproximadamente 500 mil negros foram para os EUA a partir de 1619 em embarcações originárias da África Ocidental e Central. Mandados para o sul dos EUA, os negros trabalhavam como escravos nas plantações de tabaco e algodão, principalmente no Alabama, na Virgínia, nas Carolina do Sul e do Norte, entre outros.

Com o descaso, os maus-tratos e a exploração que sofriam, os negros transformaram esta humilhação em canção. A única forma de expressão e consolo era durante o trabalho por meio das músicas. Elas eram conhecidas como Work Songs – uma mistura de gritos, perguntas-e-respostas, sofrimento, suor – algo já feito em sua terra natal, mas com algumas diferenças: “Vá até ao carro, caminhe reto/ Cabeça erguida!/ Agora pode largar!/ Assim! Muito bem/ Volte lá e pegue outro”. Os senhores não gostavam do conteúdo das letras e, para dificultar a comunicação entre os escravos, foram trazidos negros de diferentes etnias e dialetos, o que só aumentou a variedade ao canto.

O culto aos deuses pagãos dos negros foi fortemente reprimido. Para conter revoltas e manipulá-los era transmitida a ideologia norte-americana, como uma forma de racionalizar seus sofrimentos, fazendo com que o protestantismo se tornasse sua religião. Com o surgimento das primeiras igrejas para negros, canta-se para Jesus e para a própria salvação. O choque com a música negra faz nascer a cultura afro-cristã. As músicas espirituais eram sinônimo de encontro religioso nas comunidades. Após um dia de trabalho, pastores andarilhos apareciam para pregar a palavra de Deus, seguida de música e dança.

Após a Guerra da Secessão, foi decretado o fim da escravidão e milhares de negros ficaram desabrigados, sem comida e sem trabalho. Eles migraram para o norte dos Estados Unidos, onde estavam amontoados em guetos e periferias. Em uma união do spiritual e da melancolia por essa situação, o Blues surgiu da dor e da perda. Esta música é a afirmação dos negros na sociedade e a união entre a individualidade (interior) e a diversão (entretenimento formal).

Embora haja divergências quanto à caracterização do estilo Ragtime como Jazz, a música feita em New Orleans, na primeira década do século XX, não deixou dúvidas de que surgia uma nova forma de expressão. Mistura da música europeia e africana, nascido do Spiritual, o Jazz cresceu e se difundiu graças ao crescimento das cidades e a necessidade de entretenimento aos trabalhadores pobres. O Jazz cresceu junto com os EUA, sendo uma declaração social contra a opressão política. Os anos de 1920 a 1933 foram de expansão deste estilo que, durante a lei seca, se difundiu em bares onde bebida alcoolica ainda era vendida, por isso, em certo tempo, tinha uma conotação imoral.

O Black Power – “poder negro” – era uma manifestação pacifista, que lutava pelos direitos dos negros e resgatava medidas do antigo líder: Martin Luther King. Essa manifestação surgiu na época dos anos 1960 e 1970, quando os negros americanos mostravam sua identidade cultural mesclada de costumes sulistas e raízes africanas, buscando direitos civis e políticos dentro da sociedade. Simultaneamente, a fase “Era de Ouro” da música negra trouxe como pioneiro o Soul, que representa a afirmação negra em seu país. Quanto mais espaço eles ganhavam, mais ele se transparecia na música. O Soul, além de trazer canções que discutem o amor, fala também sobre o orgulho negro e o espaço conquistado por eles.

No final dos anos 1960, nasce o Funk, que é um estilo forte, dançante e sensual, tendo nela expressões inglesas até mesmo consideradas indecentes, com letras auto-afirmativas e repetitivas. Época marcada pelo movimento Hippie, da paz e do amor livre e pelos protestos e pelas lutas contra a discriminação racial. O Funk exprimia todo o calor, sensualidade, força e poder que os negros e toda nação estavam adquirindo.

Nascido nos subúrbios negros americanos, que se inundavam de violência, racismo, tráfico de drogas, o Hip Hop encontrou nas ruas o único lugar para expressões e cantos. Criado em 1968, com o propósito de reivindicar direitos e buscar uma melhoria de vida. Uma espécie de grito de alarde ao governo americano e uma afirmação histórica para os negros que mistura canto, dança e DJ e simboliza a liberdade de expressão dos afro-americanos.

A música negra é reflexo, principalmente, do sentimento de segregação, mostrando o espaço e o progresso para o abandono do preconceito na sociedade. A música, na verdade, não tem raça nem gênero, é a expressão de sentimentos e é isso que eles nos mostram hoje e que faz o mundo inteiro apaixonar-se pelos sons e torná-los populares.



Comentários Comentários Postados
MIRELA FANTIN DOS SANTOS[23/11/2010 - 13:39]

EU ADOREI SABER DE TUDO UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA DS NEGROS NOS ESTSDOS UNIDOS E OUTROS.......... BJS

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